2007 – Rota Andina: Natal – Peru e Bolívia

Este relato foi copiado (com pequena edição) do blog de nossos amigos, companheiros de viagem e principais escrivães, Suzete e Marco Aurélio com a colaboração de todos os demais integrantes da expedição.
http://rotaglacial.blogspot.com/

ROTA ANDINA – Setembro/outubro/2007
Uma viagem pelo Peru e Bolívia

INTEGRANTES:

De Natal-RN:
Enio/Marinês
– Troller;
Alexandre/Gleide
– Land 110
Marco Aurélio/Suzete
– TR4;
Nakamura/Helenita
– TR4;
Álvaro/Mara
– Land 110

De Macaé-RJ:
Túlio/Heloisa/Adriano
– Land 110
Álvaro – artiniC/Rosângela – Bandeirante (sem turbina)

De Goiânia-GO:
Cabral/Super
– Land 90

PONTOS MARCANTES DA VIAGEM: 36 dias de viagem, ida e volta de Natal.

– Ver o enorme progresso em áreas que se pensa isoladas e inóspitas, tais como o extremo norte de MT, sul do PA, RO e AC, é surpreendente!
– Ser recepcionado pelo Sr. Balzan e Sra. Rosa e mais um grupo de amigos para participar de um grande churrasco em uma fazenda no meio de Rondônia, é uma delícia!
– Ter passado pela Transoceânica ainda em construção e ver homens trabalhando 24 horas, e antever que esta será, sem dúvida alguma, considerada uma das mais belas estradas do mundo, é uma primazia!
– Conhecer o pólo incaico de Machu Pichu, Vale Sagrado, Moray, Salinas….. sempre é fascinante!
– Atravessar os Andes e atolar o carro nas areias do Pacífico é insólito!
– Ver as Linhas de Nazca de cima é espetacular!
– Vale do Colca e os Condores Andinos, fantástico!
– Ter trilhado a estrada mais perigosa do mundo, a Estrada da Morte em Coroico, é grandioso!
– Ter comido Miojo e tomar banho de balde no hotel SHERATON*****, é inexplicável!
– Pegar mais uma greve na Bolívia, normal!
– Fazer uma pequena trilha no meio da Floresta Amazônica, é emocionante!

Agradecimentos especiais: AUTO ELÉTRICA NATALENSE – Av. Romualdo Galvão, 1244 PABX (84) 3221-0606. A maior e melhor loja de material elétrico automotivo.

7/9/2007 – Partimos! Às 07h30min. Alguns amigos (Queiroz e Maria do Carmo, Joinha e Enoque) prestigiaram a nossa saída, inclusive o Queiroz e Maria do Carmo, que nos acompanharam na Rota DUNAS 2006, presentearam cada integrante desta viagem com uma boa cachaça Samanau e charuto Cubano para não faltar o combustível da “rodadinha”. Rodadinha é o nome que demos ao um gesto do grupo que, ao final de cada dia, todos se reúnem, em roda, e cada um serve uma tampinha da garrafa de cachaça para o colega ao lado. Desta maneira todos bebemoram para agradecer aos deuses o bom dia vivido ;-)). Seguimos pelo Sertão Nordestino passando por Serra Negra do Norte – RN. Chegamos a Petrolina – PE as 19h, tendo percorrido 870 km. Acomodamo-nos no hotel “Grande Rio” às margens do Rio São Francisco.

8/9/2007 – Saímos com destino à Ibotirama passando pela Chapada Diamantina, a estrada não estava muito boa. Após 740 km percorridos, chegamos ao destino, terminando o dia com a “rodadinha” e ficamos no Hotel Glória (não recomendamos).

9/09/2007 – Houve um pequeno atraso na saída, pois o Troller do Enio precisou ser reparado. O destino de hoje é Luis Eduardo Magalhães – BA passamos por bonitas cachoeiras do ‘Redondo’ e ‘Acaba Vida’. Chegando ao destino, encontramos Túlio e Adriano (estes saíram de Macaé – RJ). E batizamos os amigos com uma “rodadinha”. O jantar foi no próprio hotel com uma ótima comida! Percorremos 356 km nesse dia.

10/09/2007 – Destino: São João do Javaés – Nesse dia saímos novamente tarde por conta do carro do Enio ter dado problema. Não conseguimos chegar a tempo e paramos em Gurupi para tentar pegar autorização para atravessar a Reserva Indígena, infelizmente não deu, pois era até as 17h. Pernoitamos no hotel Veneza Plaza. O jantar nesse hotel foi engraçado, pois não podiam servir todas as refeições ao mesmo tempo por falta de pratos. Percorremos 470 km nesse dia.

11/09/2007 – Às 8h estávamos todos na FUNAI para pegar autorização para atravessar o Parque Nacional do Araguaia. No entanto, após uma longa espera o responsável nos informou que não haveria possibilidade pelo fato de duas tribos estarem brigando entre si (Javaés – TO e Carajás – MT). Ali mesmo na frente da FUNAI, decidimos qual seria o próximo destino…. Traçamos o Plano “B”, então foi decidido que seguiríamos até a cidade de Nova Nazaré. Tivemos um bom jantar, arroz e feijão super temperados em meio a muita poeira da cidade. Pernoitamos no Hotel Regina após uma justa divisão de quartos. Percorremos 557 km.

12/09/2007 – Logo cedo vimos que o pneu do carro do Túlio estava furado. Ao longo do trajeto rumo à São José do Xingu – MT, contornamos a Reserva Indígena do Xingu. Passamos por várias plantações de algodão e soja. O pneu do Enio furou com uma chave de fenda deixada na estrada. À noite comemos no Disk Caldos uma deliciosa picanha e Pacú na chapa. Este Pacú na chapa é de lamber o beiço! Uma delícia. Percorremos 404 km.

13/09/2007 – Ao amanhecer a fumaça das queimadas na região já tomava conta da cidade. O destino de hoje é Alta Floresta – MT, local onde ficaríamos dois dias se não fosse a mudança de percurso. No caminho, encontramos o prefeito de Peixoto Azevedo (localizada no município onde houve acidente da TAM alguns meses atrás). Mais adiante nos deparamos com um acidente de moto onde havia uma criança de cinco anos ferida. Prontamente nossa amiga Mara socorreu o menino (Luan), mas nada de grave aconteceu. Percorremos 558 km.

14/09/2007 – Hoje o dia começou bem cedo para nós… Saímos as 5h rumo à Colniza para chegarmos antes de meio dia para pegar a balsa. Enquanto aguardávamos a balsa, comemos um delicioso peixe frito (Trairão) as margens do Rio Jurema. Quando estávamos chegando a Mara sentiu falta de sua bolsa… Paramos o carro e começamos a procurar… E nada…. Para surpresa de todos, Marco Aurélio encontrou dentro da bolsa térmica!! Descobrimos, então, que Álvaro estava fazendo uma espécie de lavagem de dinheiro. Passamos por longos trechos de bonita Floresta Amazônica. As queimadas também foram vistas várias vezes, poluindo o ar, destruindo a vegetação, matando animais… Uma pena! Mas como diz o Enio, enquanto a gente come um suculento bife, a mata pega fogo!
Percorremos 439 km.

15/09/2007 – Hoje nosso destino será a Fazenda do Alexandre em Machadinho do Oeste. Logo mais, às 7h estaremos partindo para mais um dia de aventura por um longo trecho de mais de 300 km de estrada de terra.
Após um longo trecho de estrada de terra chegamos a Fazenda Ferradura onde fomos muito bem recepcionados com muito churrasco e cerveja. Nesse dia mais dois integrantes se juntaram ao grupo: artiniC e Rosângela com a barraca no teto do Toyota Bandeirante e claro o guincho novinho! Todos foram dormir em suas respectivas barracas (não por muito tempo se o galo não cantasse às 2h).

16/09/2007 – O dia na Fazenda Ferradura começa com cheiro do leitão recheado sendo assado. Enquanto Túlio, Adriano, Marco Aurélio e Nakamura limpavam os carros, algumas mulheres lavavam roupa, outros arrumavam os carros. A festa rolou até o final do dia com muita música gaúcha, cerveja, cachaça e um delicioso leitão recheado. O gerador foi desligado o silêncio reinou e todos foram descansar para continuar a viagem no dia seguinte.

17/09/2007 – Hoje enquanto um grupo seguiu para outra fazenda para almoçar eu (Adriano) e Túlio seguimos para Porto Velho para encontrar com Heloisa. A impressão que eu e outras pessoas da Expedição tivemos na cidade não foi muito boa. É uma capital ainda recente que cresce a cada dia. Jantamos um delicioso peixe no Remanso do Tucunaré.

18/09/2007 – O destino de hoje é Rio Branco AC. Enquanto algumas pessoas ficaram na cidade para ir mais tarde, a Land Rover do Túlio e a Bandeirante do Álvaro seguiram. Em relação a Porto Velho, Rio Branco tem uma melhor aparência. Logo na entrada alguns comércios mais antigos estavam todos pintados de cores diferentes, passamos também pela Via Chico Mendes toda decorada. Enfim esta cidade nos deixou boa impressão.

19/09/2007 – Nossa última cidade no Brasil foi Assis Brasil para atravessar a fronteira para Porto Maldonado – Peru. A viagem de hoje foi pela grande obra da estrada Transoceânica que ligará o nosso país com o Mar do Pacífico. O último carro se junta ao grupo nesse dia com Cabral e a Super. Perdemos um longo tempo na Aduana no Peru para registrar todos os carros. À noite dormimos na Cabana Quinta e jantamos por lá mesmo, tudo corria bem se não fosse Nakamura roubando o pedido dos outros. Mas tudo bem tem troco. Assim como em outra viagem, Túlio perde a tampa do combustível.

20/09/2007 – Mais uma vez todos acordaram cedo rumo à Quince Mil. Tudo estava bem se não fosse o carro do Alexandre que deu problema, a mangueira de combustível estourou no meio do enxame de motocicletas da cidade (impressionante a quantidade de motos). Bom, como todos vieram equipados para o pior o cambão do Enio foi estreado para puxar o carro do Alexandre. Enfim continuamos a viagem pela estrada de terra (em meio a muitos caminhões da construção da Transoceânica). Atrasamos de novo, agora por uma ‘Tranqueira’, obras na estrada, onde só permitiam a passagem de veículos em determinados horários. Após a longa e cansativa jornada todos nós dormimos na Praça de Quince Mil dentro dos carros. O único privilegiado foi o artiniC que dormiu na sua barraca. Ah! O jantar foi pão com ovos e café em um humilde restaurante.

21/09/2007 – A bela cidade de Cusco é nosso destino de hoje (não sabíamos o que nos esperava pela frente). Após uma excelente noite dormida dentro do carro na pequena cidade de Quince Mil, saímos bem cedo, pois mais a frente haveria outra ‘Tranqueira’ em Marcapata. Chegando lá tivemos que esperar 5 horas até que a estrada fosse liberada. Enfim às 14h45min saímos por um perigoso trecho até Cusco em meio a muitos caminhões e precipícios. No entanto, como nada é perfeito o carro do Enio teve um problema: uma pinça do freio traseiro quebrou e travou o carro. Graças a presença do nosso Magaiver Túlio, desmontamos o freio, tiramos a pinça e fechamos o circuito colocando um parafuso no cano correspondente no cilindro mestre (ideia do Guerra). Foi muito complicado fazer todo esse esforço com pouco oxigênio e no frio! Enquanto um grupo ficou consertando outro seguiu a viagem. Com aumento da altitude quase todo mundo começou a passar mal mesmo com o uso do oxigênio. A estrada cada vez pior e a cidade parecia cada vez mais distante! Chegando ao Hotel Samay um médico foi chamado para atender os doentes. Alguns jantaram no Hotel e outros foram dormir cedo.

22/09/2007 – Hoje e amanhã ficaremos na charmosa cidade de Cusco. Enquanto alguns conheciam a cidade, outros mandaram lavar os carros, outros consertavam, outros dormiam. Enfim, cada um seguiu seu rumo para aproveitar e descansar dos últimos dois longos dias de viagem.

23/09/2007 – Ainda em Cusco um grupo seguiu para Machu Pichu e outros foram visitar Moray e uma salina. Moray é um conjunto de grandes escavações mais ou menos cilíndricas e concêntricas onde os Incas faziam suas pesquisas agrícolas. A salina é bastante interessante por se tratar de uma extração de sal muito rudimentar. Chegando perto da salina foi possível vê-la de cima e parecem uns cem números de pequenos tanques brancos. Chegando lá se desvenda o mistério. O pessoal aproveita uma fonte natural de água hipersalina e represa esta água em tanques evaporadores feitos na própria rocha da montanha e depois recolhem o sal depositado. A nota triste é ver crianças com os pés e pernas brancas de sal e calçando apenas chinelos velhos. A noite quase todo grupo se reuniu no Restaurante Inka, saboreamos deliciosos pratos de truta e massas. Discutimos o trecho seguinte e finalmente decidimos ir à Nasca (havia uma dúvida quanto às condições da estrada e o tempo que levaríamos).

24/09/2007 – Saímos por volta de 8 h por uma estrada sinuosa e por duas vezes ultrapassamos a barreira dos 4 mil metros. Dessa vez todos já estavam acostumados com a altitude e ninguém passou mal. A paisagem nesse trecho foi belíssima! Sendo sábia a decisão de ir a essa cidade. Paramos diversas vezes para fotografar e fazer filmagens. Chegamos ao Hotel Alegria e jantamos lá mesmo.

25/09/2007 – Sobrevoar as Linhas de Nasca e visitar os ateliers de cerâmica foram os passeios do dia. Por 45 min vimos do alto as inexplicáveis linhas de Nasca, infelizmente há muitas marcas de trilhas, confundindo assim os desenhos. O sobrevoo feito em pequenos aviões monomotores é bastante desconfortável pra quem não está acostumado ou enjoa fácil. Algumas pessoas do grupo preferiram ficar em terra firme com medo de sobrevoar (não citarei nomes para não haver constrangimento). Uma dica importante é fazer este passeio aéreo quando o sol está em posição inclinada, isto é, de manhã bem cedo ou de tardinha para que a sombra das linhas ressalte mais os desenhos. Enquanto o pessoal estava passeando, o Alexandre foi consertar a Land com problemas elétricos que fez a bateria quase explodir. Na oficina encontrou uma Land antiga com sobre teto. O Alexandre convenceu o mecânico e dono a vender este sobre teto. Feito o negócio, colocamos as peças no bagageiro da Land e esta lataria toda veio para o Brasil!

26/09/2007 – Saímos de Nasca para Chivay. A estrada bem sinuosa como as anteriores nos mostrou algumas lindas paisagens! Já perto de Arequipa tem-se a bela vista dos três imponentes vulcões, o Pichu Pichu, o Chachani e o Misti, que guardam a cidade. Chegando a Arequipa o parafuso que prende o alternador da Bandeirante do artiniC quebrou e prontamente Guerra, Enio e Túlio trataram de consertar. Enquanto um grupo consertava o carro o outro entrou na cidade para buscar nosso guia (para Chivay), engraçado é que ele se perdeu, atrasando um pouco o encontro com o restante do grupo. Ao se aproximar de Chivay, víamos do alto a iluminação pública fazendo um desenho de um puma. Muito interessante!

27/09/2007 – Hoje estamos em Chivay, a Casa dos Condores Andinos, para visitar o Cânion de Colca e o voo dos condores. No dia anterior quando chegamos fomos a uma pizzaria na Praça de Armas, infelizmente o atendimento foi muito ruim e a comida também não foi nada agradável. Alugamos um micro-ônibus com guia para fazer a visita ao Vale do Colca e ir até onde os condores podem ser vistos mais de perto. O vale é profundo e moldado por terraços Incas muito antigos, mas ainda hoje utilizados. Os condores realmente dão um show. Até parece que já são contratados para aparecerem e dar seus voos rasantes perante a grande plateia de turistas. A visita foi pela parte da manhã e ao meio dia saímos rumo a Puno. O carro do Alexandre quis dar sinais de problemas, mas felizmente era somente a pastilha dos freios. Na estrada para Puno pegamos um pouco de chuva que proporcionou um belo arco-íris com fundo escuro de uma tempestade que se aproximava, mas que felizmente não pegamos. Chegando à cidade foi difícil encontrar o hotel (Balsa Inn) por conta do rush de carros, moto táxis, bicitaxis… Enfim uma confusão!! A noite fria terminou com todos da Expedição jantando juntos, e a comida estava muito boa!

 A partir deste ponto o relato diário deixou de ser feito pelos nossos escrivãs ‘oficiais’ e por isso vou tentar resumir o que aconteceu de mais importante e pitoresco durante nossa viagem de volta para o Brasil.

28/09/2007 – Passamos o dia em Puno. Metade do pessoal foi fazer o tradicional passeio pelo Lago Titicaca para visitar as ilhas flutuantes dos Uros. São ilhas feitas de Totora, uma espécie de junco que são amarrados e sobrepostos em camadas com espessura média de 2 a 3 metros e onde os nativos constroem suas casas. Também com estes juncos são feitas as canoas que usam para sua locomoção. É um local que vale a pena ser visitado pela sua excentricidade. A outra metade do pessoal, que já conheciam o Lago Titicaca de outra oportunidade, preferiu ficar na cidade descansando e visitando os lugares mais pitorescos.

29/09/2007 – Saímos de Puno por volta das 09h com direção a La Paz. Atravessamos o Lago Titicaca em Copacabana. Esta travessia se faz por balsa que apesar de serem grandes, carregam apenas um carro de cada vez por medida de segurança. Feita a travessia, paramos um pouco mais adiante para comer Truta e Peixe Rei que são os peixes típicos servidos na região. Já chegando à tardinha, decidimos não enfrentar La Paz durante a noite e dormimos em um hotel em Huarina. Anoiteceu e esfriou bastante o que nos obrigou a sentar junto a lareira e degustar um bom whisky. De manhã os carros estavam com gelo no para-brisa que tivemos que raspar.

30/09/2007 – Saímos em direção a Corioco, em busca da Estrada dos Yungas ou ESTRADA DA MORTE! Próximo a La Paz os companheiros de viagem Álvaro/Mara e Guerra/Selma se separaram para voltar para o Brasil por outro caminho.
Cruzamos La Paz seguindo pela parte mais alta da cidade para evitar a confusão do trânsito. La Paz é a maior cidade boliviana, está a 3660 m de altitude e é considerada a capital porque o governo está sediado em La Paz, embora oficialmente a capital seja Sucre. La Paz é a capital mais alta do mundo. Mesmo com GPS é complicado. Contratamos um taxista para nos tirar do sufoco e sair logo da confusão. Pronto! Vamos ansiosamente em direção a Estrada da Morte. Logo no começo da estrada aparece uma grande placa informando que até aquele momento, desde o inicio do ano, já havia morrido 43 pessoas! Antes da reforma da estrada morria em torno de 300 a 350 pessoas ao longo de seus 64 km e 3.600 metros de desnível. Atualmente a estrada foi toda retraçada e asfaltada, mas conserva a parte mais sinuosa e perigosa como originalmente, isto é, de terra e com dezenas de cruzes na sua borda como testemunha dos diversos acidentes. O interessante é que tem cruzes em diversas línguas, evidência de que turistas também tem que prestar atenção! Esta parte mais perigosa agora é mais usada por turistas que descem com suas bicicletas ou mesmo carros, como nós. A estrada realmente é belíssima e desafiadora, mesmo na parte asfaltada é cheia de curvas e não tem proteção lateral e os precipícios são gigantescos, chegando até a 1.000 m!
Saímos da Estrada da Morte e vamos descendo em direção a floresta amazônica boliviana. A estrada continua perigosa e poeirenta a agora com movimento de caminhões. Interessante é que aparecem pequenas placas avisando que a partir daquele ponto a mão inverte, isto é, por vezes se tem a mão normal pela direita e depois muda para mão inglesa. Quase oito horas da noite, já estamos na floresta amazônica boliviana, chegamos a Yucumo. Encontramos um hotel bastante simples onde nem todos os quartos tinham banheiro, fizemos o sorteio dos quartos e depois fomos jantar em um restaurante de posto de gasolina.

01/10/2007 – Saímos de Yucumo com intenção de chegar a Guajará Mirim no Brasil. Como já estamos ao nível da Floresta Amazônica, o calor e a poeira começam a ficar sufocantes e muitas travessias de balsas. Logo na saída fomos avisados que estava tendo um ‘bloqueo’ próximo a Guayaramerin, cidade limítrofe Bolívia/Brasil. Como gato escaldado tem medo até de água fria, ficamos preocupados com a situação. Mesmo assim seguimos viagem. Com mais informações chegando, vimos que a situação estava se complicando e ficou definitivamente angustiante quando não conseguíamos mais encontrar diesel para os carros. As TR-4 não tiveram problemas com gasolina. O que fazer? voltar? seguir? Definitivamente vamos seguir até onde der e quando não der mais acamparemos. Foi exatamente o que fizemos. Tentamos arrumar diesel em qualquer lugar e por qualquer preço, mas só conseguimos uns poucos litros. O inusitado foi quando parei em uma casa/choupana na beira da estrada e fui recebido por uma índia com seu filho nos braços, desconfiada e despida da cintura pra cima e, não sei como, conseguiu entender que eu estava querendo diesel. Para minha surpresa ela disse que tinha 10 litros, mas eu tinha que pagar um tanto, o que equivalia a três vezes o valor real. Paguei e ela me deu um galão plástico, todo sujo, com uns 9 litros, mas, como só tem tu vai tu mesmo!
Desta maneira conseguimos chegar até uns 150 km antes da fronteira.

Esta parada foi uma daquelas paradas ou um daqueles fatos que ficam marcados para o resto da vida na cabeça de quem viveu aquela situação. Chegamos a um ponto da estrada onde tinha uma placa, feita de madeira: SHERATON ****. Paramos e fomos olhar as acomodações. O ‘hotel’ estava em péssimas condições! Pedimos permissão para acamparmos na frente do hotel e fazer uso de alguma coisa que fosse possível daquele lugar. Arrumamos os carros de modo que as barracas ficassem no meio e aí começamos com a já tradicional rodadinha, seguida de whisky, vinho…. Pronto, barracas montadas, vamos agora ao jantar. Ninguém estava muito disposto a encarar o ‘restaurante’ do hotel. Pedimos permissão para usar a cozinha e uma panela para fazermos a nossa própria comida. A Marinês se dispôs a fazer os famigerados kinojo, digo, os miojos. 10 pacotes! Como todo mundo estava morto de fome, acabou sendo um banquete. Depois a Marinês nos confidenciou que ela não sabia se recusava a panela e a colher oferecida pelo estado em que estes utensílios se encontravam. A cozinha não tinha piso, era de terra batida, tinha um jabuti, galinha dentro da cozinha mais um zoológico de animais rondando lá próximo. Fazer o quê?!
Jantamos, voltamos ao acampamento, um calor infernal, fomos tomar banho. Sem chuveiro, o banho tinha que ser tomado com balde e a água retirada de um poço. A Suzete passou todo seu antigo conhecimento de como jogar a lata dentro do poço para cair de boca pra baixo e encher de água. Foi uma gozação só, muita risada!!
E o combustível? Volta e meia passava um caminhão e parava ali mesmo ou logo adiante em outra casa/restaurante (do mesmo nível, ou pior, que o nosso SHERATON*****). Decidimos abordar os camioneiros. Não foi fácil convencê-los, mas com muita conversa, regalo (cachaça brasileira) e pagando o triplo do preço, conseguimos arrumar uns 80 litros. Colocamos 20 litros e cada carro e com isso pudemos seguir viagem.

02/10/2007 – Acordamos cedo, dividimos uma porção do mato para cada casal, de maneira que o casal X poderia ocupar o mato a direita, o casal Y à esquerda, o casal Z no meio… para fazer as necessidades matinais. Depois aguardar a vez no poço de água para o banho e finalmente um café coletivo no próprio acampamento. No final das contas foi INESQUECÍVEL este SHERATON***** boliviano!!!
Pelas informações recebidas dos caminhoneiros, o bloqueio ainda persistia e ninguém tinha ideia de quando cessaria o movimento. Decidimos ir para Cobija, fronteira Bolívia/Brasil, daí Epitáciolândia já no Acre e aí seguir até Rio Branco. Esta volta nos custou uns 450 km a mais do que se fossemos direto a Guajará Mirim(RO). A boa notícia é que mais adiante poderíamos conseguir diesel das embarcações. E foi realmente o que aconteceu. Conseguimos combustível para encher os tanques, pagando mais do que o dobro do preço, e seguimos viagem até Cobija. Esta parte da Bolívia, de floresta amazônica, é uma região bastante pobre, embora ninguém morra de fome porque tem caça e pesca, bastante quente, sem muita infraestrutura, alguns grandes rios para atravessar de balsa e que são bastante caras, mas é um trecho boliviano bastante interessante de ser visitado.
Chegamos a Cobija. Enquanto rodávamos procurando hotel, o Marco Aurélio foi parado, dentro da cidade, por dois policiais completamente bêbados. Ficou um de cada lado do carro, com a cabeça praticamente para dentro do carro, o que fez o Marco Aurélio e Suzete quase desmaiarem com o bafo exalado pelos policiais, que exigiam documentação, faziam recomendações sem muito nexo, etc. Marco Aurélio ficou bastante apreensivo e não queria usar o rádio para chamar o pessoal. O que fez foi deixar o PTT apertado e aí eu consegui ouvir a conversa e deduzi que ele estava em apuros. Fui até eles mas quando cheguei eles tinham acabado de ser liberados mas acabaram me parando também. Depois de alguma conversa também me liberaram. Felizmente foi só um susto.

03/10/2007 – Seguimos em direção a Guajará Mirim. A estrada estava muito boa, belas paisagens e viagem tranquila. O que nos surpreendeu agradavelmente foi o estado do Acre que nos pareceu um estado bastante próspero e organizado. O único probleminha foi na travessia do Rio Madeira, em Abunã. Os caminhoneiros de caminhões tanques queriam atravessar por primeiro mesmo aqueles que tinham chegado depois. É que por medida de segurança, não pode viajar caminhões tanques com cargas inflamáveis junto com outros carros. No fim de algum tempo acabamos indo primeiro. Chegamos a Guajará Mirim e já nos esperava um belo churrasco de costela e um tambaqui especialmente preparados na casa do amigo Roberto. Uma delícia!

04/10/2007 – Passamos o dia todo em Guajará. Atravessamos a fronteira com a Bolívia para ir até Guayaramerin e fazer algumas compras na zona franca de lá. Como outras zonas francas, noventa por cento da mercadoria é quinquilharia. Compramos alguns litros de whisky, para repor o estoque e levar alguns para casa.

05/10/2007 – Partimos agora definitivamente para casa. Mas antes ainda tivemos uma grata surpresa. Na saída de Guajará em direção a Ariquemes, com o Balzan como guia, fizemos um desvio por dentro do Parque Estadual de Guajará Mirim. Foi uma travessia inesquecível. Verdadeiramente dentro da Floresta Amazônica, por uma estrada estreita, de terra e lama, uma verdadeira aventura o que nos animou mais ainda para a nossa próxima grande viagem/aventura que está programada para atravessarmos a Transamazônica em 2009. Depois da travessia do parque, um pouco mais de estrada de terra e chegamos a Ariquemes. A partir daí só asfalto. Acabamos dormindo em Cocoal-RO.

06/10/2007 – De Cocoal fomos dormir em Cuiabá-MT

07/10/2007 – De Cuiabá fomos dormir em Barra do Garça-MT

08/10/2007 – De Barra do Garça fomos dormir em Gurupi-TO

09/10/2007 – De Gurupi fomos dormir em Carolina-MA.

10/10/2007 – Passamos o dia em Carolina visitando as magníficas cascatas no Parque da Chapada das Mesas. Este lugar não ainda muito divulgado e conhecido no Brasil, mas é um lugar de extrema beleza. As cachoeiras são espetaculares. Vale muito a pena visitá-las.

11/10/2007 – De Carolina fomos dormir em Floriano-PI.

12/10/2007 – De Floriano fomos dormir em Patos-PB

13/10/2007 – De Patos fomos dormir em NATAL – Antes de chegar em casa, paramos em um restaurante especialista em bode e nos deliciamos comendo um ‘bode torrado’.

FIM

2005 – Rota Inca: Natal, Argentina, Chile e Bolívia

Este relato foi copiado com pequenas adaptações do blog de nossos amigos, companheiros de viagem e principais escrivães,
Suzete e Marco Aurélio com a participação direta do Cabralito e também a colaboração de todos os demais participantes da expedição.
http://rotaglacial.blogspot.com/

INTEGRANTES::

De Natal-RN:
Enio/Marinês – Troller
Alexandre/Gleide/Roberto
– Land 110
Marco Aurélio/Suzete – TR4
Nakamura/Helenita/Renato – TR4
Vera/Noel/Raquel – Land 110

De Macaé-RJ:
Túlio/Heloisa
– Land 110
Álvaro/Rosângela/Bráulio – Hilux CD

De Goiânia-GO:
Cabral/Raoni
Cabralito – Land 110

O encontro dos nordestinos com os demais componentes do grupo será em Foz do Iguaçu-PR. A partir daí percorreremos as
principais cidades do Norte da Argentina e do Chile, cruzando a Cordilheira dos Andes e a região do Deserto de Atacama. Em seguida,
atravessaremos a Bolívia passando pelo grande Salar de Uyuni. Parte do grupo seguirá para Machu Picchu, no Peru, e a outra
retornará ao Brasil, passando pelo Pantanal Mato-grossense.

PONTOS MARCANTES DA VIAGEM: 33 dias de viagem, ida e volta de Natal.

– Foz do Iguaçu – Beleza pura. Sem comentários!
– Cidade de Salta-AR – muito simpática. Tem um teleférico onde se pode ver toda a cidade de cima. Ótimo chorizo!.
– Trecho Salta-San Antonio de Los Cobres – É onde o mal das alturas começa atacar. Paisagens de tirar o fôlego!
– Deserto do Atacama – São Pedro do Atacama está despertando para o turismo (felizmente ou infelizmente?). Muito simpática e
gostosa. Vale da Lua e o próprio salar são fenomenais!
– Ser apanhado por uma tempestade de areia que jateou as placas dianteiras, faróis e para-brisas, é assombroso!
– Virar o carro tem preço sim, mas não acontecer nada com nós e o carro poder seguir viagem, não tem preço!
– Geiseres El Tatio – Demonstração que a terra respira e que pode acordar a qualquer momento. Cinematográfico!
– Atacama-Uyuni – Pra mim o melhor trecho da viagem. Praticamente o tempo todo de off road. Estrada praticamente não existe
é só caminho no deserto entre montanhas e lagoas multicoloridas. Fantástico!
– Rebocar uma Land por 30 km, ficar perdidos no meio do nada e conseguir um refúgio para dormir e escapar do frio, faz parte da aventura!
– Salar de Uyuni – Andar a mais de 100 km por hora sobre uma planície de puro sal….(haja picanha pra tanto sal!). Indescritível!
– Potosí-Sucre-Sta. Cruz de la Sierra – Trecho fantástico em termos de paisagens (e poeira) entre montanhas.
– Fugir de um bloqueio pelo esgoto da cidade é desafiador!
– Pantanal Boliviano – Muitos mosquitos gigantes!
– BRASIL. Nosso Brasil não tem igual! Cansados mas já preparando a ROTA DUNAS.

ROTA INCA – Agosto/2005
Uma viagem pela Argentina, Chile e Bolívia.

O encontro dos nordestinos com os demais componentes do grupo será em Foz do Iguaçu-PR. A partir daí percorreremos as principais cidades do Norte da Argentina e do Chile, cruzando a Cordilheira dos Andes e a região do Deserto de Atacama. Em seguida, atravessaremos a Bolívia passando pelo grande Salar de Uyuni. Parte do grupo seguirá para Machu Picchu, no Peru, e a outra retornará ao Brasil, passando pelo Pantanal Mato-grossense.

15.08.2005 – Fizemos uma reunião acompanhada de um churrasco na casa do Enio, mas a atenção estava mesmo voltada para a viagem. O Túlio chegou de Macaé e amenizou nossa ansiedade entregando as camisetas e os adesivos, então, adesivamos e preparamos os carangos para o grande dia. Vamos lá que sábado está chegando!

18.08.2005 – Nos reunimos numa lanchonete onde esteve presente a imprensa que fez uma entrevista sobre nossa expedição. Todos muito alegres, porém dava para perceber a ansiedade estampada no rosto de cada um de nós, afinal o grande dia está chegando. Confirmamos a largada para 5 horas da matina, no posto Novo Horizonte na BR-101, na saída da cidade de Natal. Os integrantes de outros estados sairão em datas posteriores, e nosso encontro está marcado para o dia 24.08.2005, na cidade de Foz do Iguaçú-PR.

20.08.2005 – O grupo iniciou a Rota Inca. Saímos de Natal passamos por Alagoinhas-BA. Na planilha, a primeira parada seria em Feira de Santana-BA, porém um problema na Land da Vera nos atrasou um pouco, mas tudo foi normalizado e chegamos em Salinas-MG.

22.08.2005 – Hoje paramos para dormir em Patos de Minas-MG, já rodamos aproximadamente 1.750 km! E haja disposição hein?! Por enquanto não estamos parando para conhecer nenhum local, aonde chegamos é para descansar e seguir viagem no dia seguinte….

24.08.2005 – Cinco dias de viagem: trecho Santa Fé-PR – Foz do Iguaçu-PR. Como de costume acordamos às 6 horas da manhã e seguimos para Foz do Iguaçu, que fica a uns 470 km de distância. Passamos por de Maringá, e apesar de cedo já havia grande movimento na cidade, estudantes se dirigiam apressados para a escola, outras pessoas para o trabalho, enfim, o trânsito era intenso, porém, como a cidade é bem sinalizada não tivemos problema em atravessá-la. Logo em seguida começou a cair uma chuva forte, o tempo ficou bastante nublado, paramos para tomar café da manhã, e aí a Marinês se deu conta que deixou no hotel anterior sua necessaire com todos seus pertences de higiene pessoal. Seguimos em frente e lá pelas 10 horas o sol apareceu e pudemos observar bem a imensidão dos campos de trigo, cenário que compôs o resto da nossa viagem. Ao meio dia cruzamos a cidade de Cascavel, logo depois fizemos contato, pelo rádio, com o Túlio e o Álvaro que estavam vindo de Macaé-RJ. Aguardamos um pouco e antecipamos o encontro que aconteceu no meio da estrada. Seguimos com destino a Foz, agora um comboio de sete carros, chegamos às 15 horas. Renato, que veio de São Paulo-SP e Roberto que veio de Passo Fundo-RS, já nos aguardavam no hotel. Noel, Raquel e Helenita, também chegaram logo em seguida. No Hotel Recanto Park fomos recebidos com drink de boas vindas, e a noite nos reunimos para confraternização. Estamos aguardando a chegada de Cabral que está vindo de Goiânia-GO.

25.08.2005 – Foz do Iguaçu. Após nossa confraternização que ocorreu ontem na churrascaria Show Rafain, hoje foi um dia de relax. Pela manhã atravessamos a ponte da Amizade e fomos à cidade Del Leste no Paraguai. Acabamos comprando quinquilharias, aquelas muambas que você jura que não vai comprar e acaba não resistindo às tentações dos preços baixos. Vamos ver se funciona mesmo! Na ponte é tanto sacoleiro transitando, que mais parece um formigueiro. Na volta fomos direto para o Parque Nacional do Iguaçu, lá mesmo nos servimos de um farto buffet, e lá pelas 16:00h descemos para apreciar o show da natureza que são as cataratas. Lá aguardamos o por do sol, fizemos algumas fotos do grupo e voltamos para o hotel para reorganizar as bagagens, pois amanhã começa de fato a expedição 4×4 Rota Inca.

26.08.2005 – Trecho Foz de Iguaçu – Presidente Roque Saenz Peña. A grande expedição Rota Inca começou verdadeiramente hoje onde estão reunidos os oito carros em comboio. Saímos de Foz do Iguaçu às 7:45 h da manhã num frio de 13 graus. Primeiro passamos na aduana brasileira, onde fomos recebidos por um guarda nordestino (de Recife) que como era novato na função acabou sendo muito minucioso na conferência dos nossos equipamentos e atrasou um pouco a nossa viagem. Declaramos todos os equipamentos eletrônicos, depois passamos na aduana Argentina o que nos levou mais um tempinho parados. Paramos em vários pedágios na Argentina e por vários postos de fiscalização policial, como tínhamos declarado tudo na saída do Brasil, facilitou nosso trânsito. Passamos na cidade de Wanda-AR conhecida pelas suas pedras semipreciosas, cruzamos toda a província das Missões e entramos nas províncias de Corrientes e Chaco, que mais parecem com o nosso pantanal. Durante todas as nossas paradas pessoas se agrupavam querendo mais informações sobre a nossa expedição. Chegamos à cidade de Presidente Roque Saenz Peña às 21 horas, percorrendo hoje 813 km.

27.08.2005 – Saímos de Saenz Peña às 7:15 da manhã, poucos minutos depois do sol raiar de fato. De estômago vazio e após quase 90 Km de estradas um tanto quanto “brasileiras” paramos para fazer o duplo abastecimento. Em meio a uma planície imensa com vegetação meio cerrado meio caatinga, rumamos numa reta infinda, cheia de pássaros, cabritos, porcos e (pasmem!) jumentos. Parados pela polícia em busca de “collaboracion”, fingimo-nos de bobos e seguimos rumo a um verdadeiro off-road “on road”. Monotonia vai, monotonia vem, a estrada melhora e às 12:45 avistamos pela primeira vez a cordilheira ao longe (bem baixa). Duas horas se passam de muito visual e montanhas até que chegamos a Salta, capital da província homônima. Nesse meio tempo, percebemos que fomos enganados com diesel batizado. Mais de uma hora procurando o hotel onde estão hospedadas Heloisa (esposa do Tulio) e Gleide (esposa do Alexandre) que vieram de avião, finalmente as encontramos mas não havia vagas para todos. Com isso, Álvaro, Nakamura e Cabral se separam do resto do grupo, sendo que Cabral e o filho ficaram sozinhos, na correria resolvendo problemas até a uma e meia da manhã. A porta da Land estava emperrada e tiveram que trocar a fechadura. A praça principal, é belíssima, iluminada, cheia de edificações antigas, e frequentada pela hi-society da cidade além de, claro, turistas e crianças pedindo moedas.

28.08. 2005 – Trecho Salta – Cachi. Acordamos às 6 da manhã e terminamos a organização. Às 9 já estávamos de saída para Cachi, com toda a turma reunida. 40 minutos e 3 cidadelas depois a poeira já começava a subir. Problemas técnicos nos fizeram parar 3 vezes em 40 minutos, 2 relativos a um curto-circuito no jipe do Enio e outro no tambor de água do jipe do Cabral. Nisso, já estávamos num off-road entre grandes morros e visuais. Mais uma parada para fotos numa velha ponte e daí segue-se viagem pelo pé de uma montanha. A partir daí vamos ganhando altitude costeando morros de formações e aparências distintas, boa parte deles com cáctus (cardón) dos pés ao topo. Paramos numa cabaninha, comemos empanada doce e compramos folha de coca e nozes. A subida agora passa a ser mais íngreme e logo atingimos 3000 m de altitude. Paramos num mirante para fotos. Adentramos logo em seguida no Parque Nacional de los Cardones mas tivemos de voltar pois o trajeto para veículos estava em recuperação. Havia muitas ovelhas comendo o pouco mato seco que restava no parque. Os jipes engasgavam pela falta de ar o que obrigou alguns a acionar a reduzida num certo trecho. Passamos então pela Piedra del Molino, a 3348 m de altitude, ponto mais alto até aquela altura da Rota Inca. À 13:45 avista-se pela primeira vez a neve na cordilheira ao fundo. Novos visuais e ainda mais belos (acredite se puder!) no caminho para Cachi. Entramos novamente no asfalto, numa rodovia entre campos de cáctus e montanhas por todos os lados, estamos no deserto. 30 Km depois chegamos em Cachi, uma pacata e rústica cidade, seca e desértica, às vezes meio fantasma. Passamos num hotel mas preferimos acampar, enquanto Cabral e filho ficaram no albergue. Cabral passou mal e dormiu até o outro dia, num total de 16 horas consecutivas. Todos se instalaram e ficaram gastando tempo até as 18:30, quando fomos à internet e ao artesanato e depois ao restaurante, onde ficamos várias horas até voltar para o camping e dormir. À noite o vento parecia querer levar as barracas com tudo dentro, e aí ficamos sabendo o que realmente significa ‘rajada de vento’. É um vento fortíssimo que dura poucos momentos e depois vem a calma para mais uma vez soprar forte levantando areia contra as barracas o que criava um efeito fotoeletrostático (luzes faiscavam ao tocar a lona da barraca). Além disso, até um galho bem grosso despencou entre duas barracas e por sorte não feriu ninguém.

29 .08. 2005 – Trecho Cachi – San Antonio de los Cobres. O Sol aparece, às 7:30 quase todos já estão acordados e às 10 já estão todos alimentados e partem rumo a San Antonio de los Cobres. No caminho, enfrentamos muito cascalho e curvas sinuosas. Passamos entre lindos morros e montanhas, inúmeras formações de areia, rios e riachos de degelo, além de picos nevados de até quase 6000 m de altitude. Numa certa altura do trajeto o gelo passa e ser comum, no chão, nas paredes e nas pedras. Avista-se estalactites de gelo e também os “ventisqueros colgantes”, espécie de geleira de grande altitude, um rio congelado descendo por entre as entranhas da montanha. “Cabralito” (filho de Cabral) , se aventurou numa comprida cascata de gelo a 4500 m de altitude, num verdadeiro “Sky Bunda” nas alturas e se deu mal. Além de ficar com um belo e enorme “roxo” logo abaixo de sua nádega direita, sofreu leves cortes e perdeu seu par de chinelos, que deslizaram mais ainda pela ladeira de gelo abaixo. Ficou fraco e com muita falta de ar, mas mesmo assim criou forças para procurar o chinelo, encontrando, porém, apenas um dos pés. Após esse tragicômico episódio, alcançamos 4895 m de altitude, a maior de toda a Rota Inca, ponto que não será mais atingido (feliz ou infelizmente), o que causou faltas de ar (alguns companheiros tomaram doses de oxigênio, recomendado a essa altitude) e dores de cabeça. Muitas lhamas, guanacos, jumentos e cabras se alimentavam nas encostas das montanhas. Enfrentamos ventos fortes e frios, além de curvas fechadas e pista estreita na descida em direção a San Antonio. Chegamos na cidade às 15:30 e fomos direto a Hosteria de las Nubes, a principal da cidade. Os companheiros Túlio, Heloísa, Noel, Raquel e Vera ficaram hospedados numa casa de família, por falta de hospedagem hoteleira na cidade. A cidade com menos de 2500 habitantes é muito pobre, seca, e tem muitas tempestades de areia, o vento é fortíssimo e sopra areia para todos os lados. O resto do dia foi pacato, muitos passaram mal e alguns tiveram força para jantar.

30 .08. 2005 – Trecho S. A. de los Cobres – San Pedro de Atacama. Com o café começando tarde, acabamos saindo só às 9:45 e começamos o trajeto errado. Logo demos meia volta e pegamos as rodovias 40 e 38 em direção a Susque, na província de Jujuy. No horizonte avistava-se uma gigantesca nuvem de areia e logo estávamos dentro dela. Num altiplano entre montanhas “baixas”, passamos próximo ao Salar de Salinas Grandes, o 1º de muitos da viagem. Nessa passagem o companheiro Álvaro teve seu pneu furado, o que deu tempo para alguns conhecer o mini povoado de Cobres, que assim como San Antonio já abrigou minas de cobre há séculos atrás. Logo chegamos no asfalto e com 36 Km já estávamos em Susque, após inúmeras curvas sinuosas, subindo e descendo montanhas. Tomamos rumo para o Paso de Jama e San Pedro de Atacama, nosso destino final do dia. Mais tempestade de areia e salares no caminho para o Paso de Jama, fronteira com o Chile. Com isso nos despedimos da parte argentina da expedição, passando antes pela aduana do país “hermano” (com certeza a Argentina vai nos deixar saudades devido a suas lindas paisagens, geografia, povo acolhedor e hospitaleiro e os preços camaradas, principalmente dos pedágios e da cerveja, além é claro, de seu bife de “chorizo”. Adentramos o Chile e não víamos nada além de sal, areia, vulcões desativados, montanhas e a estreita faixa de asfalto. Nada de aduana mas a temperatura externa já estava abaixo de zero. Os motores titubeam em trechos que chegam à altitude de 4600 m. Chegamos a San Pedro ao entardecer e passamos pela aduana chilena. Depois saímos em busca de alguma estadia e conseguimos uma pousada para todo o grupo, coisa rara na nossa expedição, e um descontinho também, já que tudo aqui é caríssimo. Saímos todos para comer, tomamos um vinho e fomos dormir. O céu de San Pedro é muito bonito, a estadia de 20 dólares por uma caminha gostosa vale a pena. Amigos, estamos em Sâo Pedro de Atacama, uma cidadezinha no meio do deserto gelado.

31.08. 2005 – No nosso primeiro dia aqui nos organizamos para visitar o grande Salar do Atacama e quando estávamos a caminho, fomos atingidos por uma tempestade de areia e escutamos através de uma emissora de rádio local que era recomendável não adentrar no deserto. Voltamos praticamente sem visibilidade alguma e ficamos no hotel curtindo o frio e o vento que não parava, e aproveitamos para degustar os vinhos chilenos. Aliás, degustar não, acabamos com o estoque de vinho da pousada!! A tempestade de areia foi tão forte que fez com que as placas dianteiras dos carros ficassem totalmente brancas. Por incrível que pareça a Vera tinha em sua bagagem uma lata spray de tinta preta. Além das placas, os faróis e para-brisas ficaram opacos e tivemos que trocá-los posteriormente.0– Contratamos um guia local e fomos acompanhados ao Salar e as Lagunas Altiplanas.

01.09.2005 – Hoje fomos visitar o salar do Atacama, um de nossos principais objetivos da viagem. É considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo. Apesar de o clima ser extremamente seco, já foi registrado 400 anos sem chuvas!, há presença de rasos lençóis d’água proveniente do degelo onde a fauna local, principalmente os pássaros buscam seu alimento. Como é um parque, paga-se entrada para caminhar sobre o salar e desfrutar de uma pequena infraestrutura turística no local. Vale a pena!

02.09.2005 – Acordamos às 4 horas da manhã sob um frio de 0 grau e fomos apreciar o espetáculo dos geiseres El Tatio que fica a uns 95 km de San Pedro de Atacama. A estrada é muito bonita, passamos por montanhas nevadas, rios e lagos congelados. Chegamos ao local às 7 horas da manhã e os geiseres já estavam soltando fumarolas. O visual é lindo e deixou-nos maravilhados diante de tanta beleza. São jorros de fumaça quente brotando do chão formado por lavas vulcânicas. A medida que o sol foi nascendo por trás da cadeia de montanhas, foi dando um colorido todo especial. Tomamos o nosso café da manhã lá mesmo e por volta das nove horas, quando a intensidade dos geiseres já havia reduzido, tomamos nosso caminho de volta, com intenção de visitarmos outras atrações nos arredores. Voltávamos por uma estrada contornando a costa de uma montanha, Cuesta Chita, uma estrada de rípio com sucessivas curvas. Nossa atenção estava redrobada por recomendação do nosso guia, mas o carro do companheiro Enio derrapou numa curva de muito cascalho e capotou, mas nem ele nem a Marinês sofreram nada fisicamente. Apenas os danos materiais do Troller, que estragou a lateral, o vidro lateral e o pneu. Desviramos o carro, trocamos o pneu, improvisamos um vidro (com plástico e fita adesiva), e quando o Enio ligou a ignição o carro funcionou. Seguimos para a cidade mais próxima, Calama para realinhamento das rodas e reposição do vidro. Também fizemos um BO junto a polícia chilena, para evitar algum contratempo na nossa saída do Chile. Enquanto aguardávamos o conserto do carro, fomos ao super mercado local e nos abastecemos para a nossa próxima etapa, Bolívia.

03.09.2005 – Levantamos bem mais tarde, lá pelas 10 da manhã, o que demonstrava que o dia seria tranquilo. A maioria ficou arrumando suas “tralhas” e depois fomos almoçar. Saímos tarde do restaurante e voltamos para o hotel para “fazer hora”, aguardando o momento para conhecer o Vale da Morte e o Vale da Lua. Essa foi a atração mais próxima de San Pedro que visitamos. O Vale da Lua é ideal para se ver o pôr do sol. Porém, para se ter esse prazer e esse visual, tem-se que vencer duas grandes dunas, uma subida que leva aproximadamente 45 minutos. O caminho é estreito, para uma pessoa apenas e se dá pela “crista” da duna, pois é proibido sair da trilha, a fim de não afetar o ecossistema. Às 20 h já estavam todos de volta, e começamos o preparo de um churrasco, o 1º da expedição, quando o vento deu uma trégua. No dia seguinte partiríamos para a Bolívia.

04.09.2005 – Acordamos bem cedo para passar pela aduana antes dos ônibus de turistas, mas ela só abriria às 8 da manhã, o que nos fez esperar cerca de 1 hora. Em compensação, o serviço alfandegário foi rápido e às 8:30 já estávamos de saída para a Bolívia, despedindo-nos do Chile, um lugar de pessoas acolhedoras, educadas e bem-humoradas. Conhecemos vulcões, lagunas, geisers e salares, numa região de deserto altiplânico, situado entre uma cadeia de vulcões (55 só na região II do Chile, a qual pertence San Pedro) em cima dos Andes e outra cordilheira (a do Pacífico) mais baixa, tudo isso com altitudes variando entre 2300 e 6000 metros, no topo dos picos. Passamos pela aduana boliviana (dois dólares por pessoa) e partimos rumo a Uyuni. Logo depois adentramos a área da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, com sede em frente a belíssima Laguna Verde (5 dólares por pessoa). 70 quilômetros depois passamos pela identificação de veículos, a mais de 5000 m acima do nível do mar, batendo o recorde, até aqui, de altitude da Rota Inca, o que causou forte mal-estar na maioria do pessoal, alguns já respirando com auxílio de oxigênio. Dali descemos rapidamente (o mal da montanha não tem remédio) em direção à maravilhosa Laguna Colorada, abarrotada de flamingos, camelídeos (lhamas e vicunhas), sal e gelo. O visual é impressionante. Mesmo depois do que vimos na Argentina e no Chile, as belezas naturais bolivianas conseguiram nos surpreender. A partir daí, foi só aventura. Não era mais uma estrada, uma pista, e sim um deserto inóspito num altiplano gigantesco e sem vida, entre montanhas e vulcões. A paisagem alternava com dunas, campos de pedras e areia grossa. Quando os caminhos confluíam para uma trilha mais marcada, eram pedras ou “costelas de vaca”. Passamos no meio de um santuário de pedras esculpidas pelo vento e pelo tempo, onde a atração principal era a “Arbol de Piedra”, que adquiriu o belo formato de árvore devido a ação do vento. De repente o Defender do Alexandre “morre”, sem explicação. Depois de várias tentativas de conserto, sem sucesso, amarramos o jipe com cinta de tração na 90tinha do Cabral. Andamos umas 6 horas, com velocidades variando entre 5 e 90 km por hora, mesmo com o jipe rebocado. Os companheiros Álvaro, Marco Aurélio e Nakamura seguiram à frente rumo a Uyuni, para tentar agilizar hospedagem e socorro inclusive porque o primeiro também já estava com problema de bateria, mas também tiveram contratempos, soubemos no dia seguinte quando os encontramos em Uyuni. O desespero para quem ficou só aumentava, principalmente depois de escurecer e descobrirmos que o caminho não seria concluído a tempo, devido a dificuldade de alguns trechos e a distância de qualquer recurso. Isso nos fez pensar até na possibilidade de dormir no deserto, no meio do nada. Até que lembramos de uma placa vários quilômetros atrás, numa bifurcação, que indicava uma Associação de mineiros e uma pousada. O desespero aumentou mais ainda quando, após voltar e percorrer a trilha por maior distância do que o indicado, não encontramos, a suposta pousada. Uma bifurcação no topo de uma longa subida sobre pedras nos fez parar para uma conferência e decidir o que fazer: aguardar o amanhecer dentro dos carros, já que a falta de lugar para acampar, o vento e o frio não deixavam alternativa, ou deixar o jipe do Alexandre e tentarmos seguir em frente, à busca da estrada leste para Uyuni e retornar no dia seguinte com resgate. Resolvemos explorar um pouco mais as duas trilhas montanha abaixo, por mais uns dois quilômetros, antes de tomar uma das medidas. Enio e Túlio enveredaram cada um por uma delas. Enquanto aguardávamos, os colegas que seguiram adiante voltaram a contactar pelo rádio, depois de muito tempo sem sinal. Não tinham conseguido acessar a estrada para Uyuni ainda, mas estavam em movimento. Assim que saíram do alcance, o colega Túlio avisa que encontrou uma luzinha e, ao se aproximar, constatou que se tratava da tal “pousada”, uma espécie de abrigo para montanhistas com quartos coletivos e que tinha espaço para todos. Finalmente ela estava lá, aos pés de um grande vulcão, a quase 4500 m de altitude. Totalmente exaustos, dormimos do jeito que estávamos, logo após bebemorarmos com um delicioso vinho chileno. Ninguém se queixou da rusticidade do abrigo. Este dia não sairá da memória!

05.09.2005 – A noite foi fria, a ponto de atrapalhar o sono. 5 graus negativos. Às 9:30 estávamos na estrada rumo a Uyuni, acelerados. Descobrimos que o problema do jipe do Alexandre era o fusível do cortador automático do combustível, resolvido graças à engenhosidade do Túlio “MacGyver”. Cerca de 200 Km de estradas de condições variadas, chegamos a Uyuni, pouco após avistar montanhas “flutuando” no horizonte, efeito da luz do sol refletindo no salar, algo semelhante com miragens de deserto, produzindo um visual impressionante. Encontramos os companheiros que já estavam na cidade e fomos almoçar. Soubemos então que, além de se desviarem da rota e terem que abastecer à noite no frio do deserto, o Álvaro achou por bem furar mais um pneu (o 3º em 6 dias!). Decidimos não ir ao Salar de Uyuni devido ao horário, então abastecemos, fomos ao cemitério de trens da cidade e depois ao centro, comprar agasalhos e acessórios locais para o frio e comer. Voltamos às 10 e fomos dormir, nos preparando para passar o dia de amanhã no grande salar de Uyuni.

06.09.2005 – Na entrada do Salar de Uyuni, barracas de artesanato simples, mas típico, principalmente as pequenas esculturas em pedra de sal. Compramos algumas lembranças. Já rodando sobre o mar de sal sólido, passamos por uma área de mineração de sal. Curiosos montes de sal grosseiramente raspado formam pequenas pirâmides. Chegamos ao curioso hotel de sal Playa Blanca, todo construído de blocos de sal, inclusive os móveis. Dali partimos para a chamada Ilha do Pescado, devido a sua forma. Formações curiosas de corais e cardones (grandes cáctus) que crescem à razão de 1 cm ao ano, além das grutas, são as principais atrações, mas a vista do topo da ilha é deslumbrante. Ela é uma das mais de 50 do arquipélago que emerge do salar, que tem uma extensão de 12.000 km quadrados, com espessura de 3 m nas bordas até 120 m mais para o meio. Um almoço leve no pequeno restaurante proporcionou um descanso e energia para enfrentar o restante do passeio. Como o salar está a uma altitude de 3600 m, qualquer esforço produz cansaço. Diferentemente do salar de Atacama, aqui o sal não se mistura ao solo, argila e outros minerais -ele é puro, quase liso e onde há rugosidades ou montículos, eles são de sal. Nos deslocamentos, apesar da trilha em tom escuro deixada pelos pneus, cada um faz o trajeto que quiser. Incrível imaginar que você está rodando a 120 km por hora em cima de um mar de sal! Em dado momento, alinhamos os 8 veículos lado a lado para fotos e filmagem a alta velocidade. No verão o salar é coberto por uma lâmina d´água de até 30 cm. O deslocamento, só de 4×4, deve ser emocionante. Visitamos um lugar chamado Cueva del Diablo numa das bordas do salar, onde a água ainda não havia secado totalmente (persistem alguns locais pantanosos depois da inundação anual). Cavernas com formações calcárias e noutra um cemitério com múmias pré-incaicas em algumas tumbas, nos põem a imaginar como viviam os nossos ancestrais. Impossível ficar indiferente, ainda mais em meio a grandeza exuberância da natureza, seja o deserto, a cordilheira ou o céu desses lugares. De volta a Uyuni, desviamos um pouco para passar na ilha Tunupa, formada por um lindo vulcão de mais de 5.000 m, com alguns povoados ao pé. Uma trilha que só pode ser galgada por 4×4 nos leva a mais um cemitério de múmias e uma vista de tirar o fôlego, já curto devido a altitude. Já no escuro, deixamos o deserto de sal, não sem antes pararmos para apreciar a noite e o lindo céu estrelado.

07 .09. 2005 – O dia amanheceu menos frio, mas igualmente muito seco.Os lábios, mas principalmente as mãos doem e se ferem por qualquer coisa e às vezes até espontaneamente. Desde que subimos a cordilheira, a partir de Salta, temos sentido a rudeza do frio, da secura e da altitude. A cada dia uma pessoa manifesta uma reação diferente à altitude, já aconteceu de tudo, diarreia, dor de cabeça, astenia e falta de ar, náuseas e tonteira. Haviam nos alertado para as dificuldades do trajeto até Potosi, mas apesar das péssimas condições do cascalho, o que torna mais lento o deslocamento é o relevo, com curvas muito perigosas e ausência completa de sinalização. Tudo ia bem, quando, num retão do deserto, com pista um pouquinho melhor, o jipe do Alexandre, o gaúcho do nordeste, fica sem freio. Voltamos a rodar duas horas depois, após mais uma intervenção decisiva do Túlio McGyver. Depois de mais de 100 km, novas elevações abrigavam pueblitos típicos, mas igualmente isolados, sempre ao longo da trilha. Um pouco mais de verde e água em vales habitados. Percebemos que estamos atravessando a chamada cordilheira oriental, aquela que não deixa a umidade chegar à cordilheira ocidental, contribuindo para o clima desértico que enfrentamos até agora. Avistamos as primeiras nuvens que, no frio da montanha, se transformam rapidamente em neve e muito granizo. Apesar da beleza que proporcionam, molham o rípio, que vira lama. Não deu outra: numa subida, dois ônibus atravessados, um deles atolado, já provocando fila nos dois sentidos, porque o tráfego começava a aumentar. Graças a um verdadeiro mutirão, abriu-se uma brecha e conseguimos passagem, curtindo a beleza do contraste entre o escuro dos picos e a brancura do gelo, já com pista seca de novo. Chegamos a Potosi ao final da tarde, ainda claro, em meio a um trânsito caótico e uma barulheira infernal (depois de tantos dias no silêncio do deserto). Deu tempo para troca de óleo (que na Bolívia, não se faz nos postos!), compra de pneus (Álvaro) e atualizar o diário na Internet e, finalmente, o jantar de despedida.
Potosí, a cidade mais alta das Américas (4070 m). O povoado original foi fundado em 1545, após a descoberta casual da prata pelo índio Diego Hualpa, no vulcão Sumaj Orcko, ou Cerro Rico (5183 m), ao lado da cidade. De uma população inicial de 3000 índios e 170 espanhóis que vieram de Colque Porco, área de mineração que atravessamos no caminho, liderados por Vilarro, Zenteno e outros, que tomaram posse da região em nome de Carlos V (então imperador também da Espanha), atingiu mais de 125 mil pessoas em 1560. Como comparação, Londres tinha 100 mil, Paris 60 mil e Madrid 10 mil. Sevilha , a maior cidade da Espanha e Lima, então capital do Vice-Reinado na América, tinham 45 e 38 mil habitantes, respectivamente. Hoje com 142 mil habitantes, Potosi chegou a 160 mil em 1610. Incrível engenharia de abastecimento de água, administração e outros serviços se instalaram para atender à explosão demográfica.

08.09.2005 – O grupo se dividiu, Ênio, Marco Aurélio e Nakamura começam a viagem de volta para o Brasil. Os demais: Alexandre, Tulio, Álvaro, Noel e Cabral seguiram para o Perú (Machu Pichu). Para ler a saga destes aventureiros na volta para o Brasil, vá ao blog: http://rotaglacial.blogspot.com/

Após a nossa separação em Potosi, seguimos para Sucre em uma viagem com grandes atrativos em termos de paisagem, com estrada asfaltada e bastante curvas em relevos acentuados. Sucre é uma cidade muito bonita e interessante. Ficamos hospedados em um hotel 5 estrelas mas barato. Fizemos compras, principalmente artigos de prata ( a Marinês adorou) e um rápido city tour. Saímos a noite para um belo jantar com direito a chopp Paceña. Saímos de manhã cedo com destino a Sta Cruz de la Sierra. A estrada começou já ruim com muita poeira e curvas. Na cidade de Aquile, encontramos os já famosos bloqueos bolivianos. Tivemos que deixar os carros e caminhamos uns 4 km para encontrar alguém com quem pudéssemos conversar e nos liberar para seguir caminho. Não conseguimos convencer ninguém. Esperamos mais um tempo e com a ajuda de alguns caminhoneiros conseguimos furar o bloqueio, passando por cima de alguns obstáculos e entramos na cidade. Abastecemos os carros e seguimos viagem. Barreira na saída também! Mais horas perdidas. Conversa com os sindicalistas e nem papo. Depois de algumas horas, uns caminhoneiros nos deram a dica que poderíamos desviar o bloqueio por um caminho alternativo que nossos carros 4×4 não teriam problemas. Lá fomos nós procurar o tal caminho. Pedíamos informações mas ninguém queria ajudar. Finalmente descobrimos o possível caminho. Começamos a rodar, em um verdadeiro off road, e descobrimos que estávamos andando em um leito seco de rio onde o esgoto da cidade corre. Após muitos buracos, pedras e mer……conseguimos ultrapassar esta última barreira. Isto tudo nos tomou umas 6 horas. Seguimos viagem e não pudemos chegar em Sta Cruz. Acabamos dormindo em Saipina . Esta parada foi bastante divertida. A cidade de Saipina se resume a uma rua principal, não asfaltada, com meia dúzia de casas (ou barracas?) comerciais onde se vende de tudo. O hotel, com certeza o único, “14 de setiembre”, tinha uma televisão na entrada que mais parecia uma tela de cinema de tão grande, 90/100 polegadas! e o piso era quase de chão batido! Nos quartos tinha cortinas mas transparentes que a Suzete apropriadamente chamou de “cortinas eróticas” e um só banheiro para todos. Meia noite, todo mundo no maior sono, uma banda marcial começa a tocar. Acordamos assustados mas ao mesmo tempo começamos a rir da situação. Imaginem uma banda marcial completa nos teus ouvidos! No dia seguinte perguntamos ao dono do hotel o que foi aquela banda e ele nos disse que foi comemoração pelo aniversário da mãe dele. Aí percebemos que a preparação de comida para a festa estava a todo vapor.

10.09. 2005 – Saímos de Saipina -BO com intenção de dormirmos em São Jose dos Chiquitos-BO. Muitas curvas e a maior concentração de poeira de toda a viagem, um caminho demorado mas mesmo assim lindo. Resolvemos apenas atravessar Santa Cruz de La Sierra, pois já estávamos atrasados devido as condições da estrada. Logo depois, paramos para abastecer e comer um PF em um posto de gasolina e seguimos em frente. Alguns quilômetros adiante de Sta Cruz encontramos o trânsito parado e já tomamos um susto pensando que era mais um “bloqueio”. Chegamos na saída da cidade no horário que passa o Trem da Morte, ambos os transportes rodoviário e ferroviário passam pela mesma ponte. Como é uma ponte estreita para duas mãos eles liberam primeiro uma mão e depois a outra. Com o grande movimento tivemos que esperar mais de uma hora. Finalmente pegamos o ramo rodoviário para Corumbá. Já começa com muitos buracos e muita poeira novamente. Mais um atraso na nossa viagem. Neste trecho o Marco Aurélio estoura dois pneus ao mesmo tempo quando passou sobre uma pedra. Sorte que o Nakamura tinha um estepe também. O problema agora era como trocar os pneus debaixo de um verdadeiro ataque de mosquitos. Não apenas pernilongos como nós conhecemos aqui no Brasil, eram duas vezes maiores e famintos. A Marinês e a Suzete ficaram dando toalhadas no ar para amenizar a situação. Procuramos uma borracharia para ficar com pelo menos um estepe. Mais atraso! Seguimos viagem mas a noite caiu logo e tivemos que pernoitar próximo a um posto sanitário de beira estrada, dentro de nossos carros no meio de vacas e alguns caminhões. Foi uma noite longa e cansativa. O Nakamura deixou as portas do carro abertas durante a noite devido ao calor e os mosquitos não deram trégua. Ah sim, esqueci de falar dos pedágios. Depois de pagarmos pelo trecho que iríamos rodar (os oficiais), a cada novo que passávamos, era solicitado uma colaboracion (obrigatória) de 10 bolivianos por cada carro, para ajudar na compra da coca.

11.09.2005 – Acordamos cedo e logo partimos, sem café da manhã. A estrada melhorou um pouco e a partir de San Jose dos Chiquitos começou o asfalto (cimento) mas ainda não se podia transitar. Foram cerca de 50 km andando ao lado do asfalto e 30 km sobre ele!! Terminado o asfalto, mais terra e começou a chover o que deu um pouco mais de emoção ao trecho com algumas escorregadelas e algum barro. Finalmente Puerto Soares! Atravessamos as aduanas boliviana e brasileira já fechadas e fomos dormir em Corumbá para no outro dia retornar e legalizar os passaportes. Ah! já ia esquecendo, quando estávamos chegando em Puerto Soares, tinha um pedágio e mais uma vez, depois de tantas, fomos solicitados a dar uma “colaboracion” de 10 bolivianos por carro.

12.09.2005 Após três dias de mais aventuras, estamos no Brasil. Corumbá. Café da manhã como no Brasil não existe! Voltamos a Bolívia para acertar a documentação e aproveitamos para passar pela zona franca para comprar mais algumas coisinhas. Adivinhem o que aconteceu na aduana Boliviana?! Mais uma “colaboracion” de 10 bolivianos por pessoa ou 3 dólares. Novamente em Corumbá, almoçamos e partimos para o Pantanal. Muitos pássaros, tuiuiús, jacarés, etc, mas com o frio eles também não estavam muito a vontade. Encontramos um ótimo lugar para fazer um camping e acordar com a bicharada do pantanal mas em consideração a faringite e muita tosse do Nakamura, resolvemos procurar um hotel e acabamos dormindo em Miranda. A noite comemoramos mais um dia de viagem com um bom vinho chileno de nosso estoque.

13.09.2005 – Nordestinos: Deslocamento por estrada asfaltada tipicamente brasileira, isto é, alternância de estrada ruim com trechos bons. Passamos por Campo Grande para deixar o Renato Nakamura na rodoviária com destino a São Paulo. A curiosidade das pessoas ao ver os carros enlameados até o teto é geral e muitos fazem perguntas sobre o roteiro e a viagem. Após mais um dia exaustivo de viagem, dormimos em Lagoa Santa-GO que, para nossa surpresa, só tinha internet na prefeitura! Desta vez a comemoração foi com whisky da zona franca.

14.09.2005 – Lagoa Santa a Formosa-GO sem muitas novidades.

15.09.2005 – Saímos de Formosa-GO com intenção de dormirmos em Bom Jesus da Lapa-BA, chegamos à cidade ainda cedo e como era dia do padroeiro, a cidade estava lotada de romeiros. Decidimos esticar um pouco mais, e agora estamos na cidade de Ibotirama, as margens do Rio São Francisco, saboreando um surubim na brasa, com cerveja gelada. Amanhã seguiremos para Lençóis.

16.09.2005 – Agora é só alegria, já estamos na Bahia. Logo cedo, ainda no hotel, Nakamura percebeu que o pneu do seu carro estava furado. Mais atraso…, substituição e remendo. Ainda no hotel recebemos a informação que a BR 242 estava bloqueada, caminhoneiros protestando por melhoria naquela rodovia (ah não! bloqueio novamente? Já não chega o que sofremos na Bolívia). Mesmo assim seguimos viagem na expectativa de negociarmos com os grevistas. Sorte nossa! A estrada já tinha sido liberada, havia apenas resquícios de paus queimados nas estradas. Neste mesmo percurso (Iboritama-Lençóis) já aproveitamos para visitar as grutas: da Fumaça, Azul e Pratinha), todas de rara beleza. Que pena não deu para fazer o mergulho na caverna, já era tarde e os guias já haviam encerrado a atividade. Aproveitamos para subirmos ao Morro do Pai Inácio e apreciarmos o pôr do sol lá de cima. Neste percurso encontramos o guia Edson que acompanhava um casal de paulistanos (Luiz e Karina). Este guia, faz parte da associação de guias mirins de Lençóis, e já havia acompanhado Marco e Nakamura, no ano passado, aproveitamos e já acertamos uma programação para o dia seguinte.

18.09.2005 – Saímos de Andaraí logo cedinho, porque traçamos o plano de dormir em Penedo, já no estado de Alagoas. Escolhemos o trecho onde atravessamos o Rio São Francisco em uma balsa. Nossa única parada, além dos abastecimentos e lanches, foi para ajudar um vendedor ambulante que furou o pneu, e estava sem chave para trocá-lo. Chegamos na balsa já às 19 horas, noite de lua cheia, tudo para uma linda travessia, se não fosse uma chuvinha que nos acompanhou, ficou nublado e durante a travessia todos tivemos que ficar dentro do carro porque na balsa não havia proteção. Nos acomodamos no hotel colonial em Penedo (às margens do Rio São Francisco) e fomos jantar no restaurante Forte da Rocheira. Enio que gosta de tudo exótico, preferiu comer carne de jacaré, os demais foram de peixe e camarão.

19.09.2005 – Acordamos mais cedo hoje porque nossa meta é chegar em Natal. A rodovia litorânea que liga Penedo-Maceió-Recife já é nossa conhecida, mas não perde o seu encanto. Andamos poucos km e já avistamos o mar. Como diz a canção: quem é do mar não enjoa, ficamos eufóricos. Enio sugeriu irmos vagarosamente pela beira da praia, desfrutando aquele maravilhoso litoral alagoano. Vamos acrescentar mais um dia na viagem. Tudo bem, todos concordaram. E assim fizemos, fomos curtindo a simplicidade dos lugares e a alegria das pessoas. Segunda-feira, mas muita gente nas praias, uns pescando, outros jogando, outros somente caminhando. Quando encontrávamos obstáculos, nos embrenhávamos pela mata atlântica, canavial, coqueirais, lamaçal … até que o carro do Enio resolveu atolar a beira mar, num riozinho moleza (diz ele que atolou de propósito, só para inaugurar o guincho que ele comprou especialmente para esta viagem). Marco tentou puxar com uma corda e atolou também. Nakamura veio como reforço, com uma cinta, e nada. A esta altura os pneus do carro do Enio já estavam quase todo atolado em função da areia trazida pela correnteza da água, tinha que ser usado o tal guincho. Estávamos na praia do Gunga, rodeados de falésias coloridas, um local perfeito para um acampamento improvisado. Mas o guincho funcionou mesmo. Saímos do atoleiro e fomos comer ostra crua e agulhinha frita nas barraquinhas na beira da praia. Um conselho aos leitores: passando por Maceió, não deixem de visitar esta praia do Gunga, na barra do Rio São Miguel, é um lugar lindo, especial. Prosseguimos a viagem e fomos até Porto de Galinhas, já em Pernambuco. Chegamos a noite mas ainda deu tempo garimpar uns artesanatos (que por sinal são de excelente qualidade e beleza).

21.09.2005 – Chegamos em Natal, missão cumprida!!


Foram acrescentadas algumas fotos no site :
http://rotainca.fotopages.com/

2004 – Rota Austral: Porto Alegre a Ushuaia

Depois da viagem de 1995, prometi ao Milani que logo que comprasse uma camionete, sonho de criança/adolescente/adulto, passaria uma mensagem convidando-o a irmos até o Fim do Mundo. Dito e feito. Em 2002 comprei uma Toyota CD 2000, preta, a PODEROSA . Passei um e-mail para o Milani perguntando: Vamos?  Vamos! A resposta foi imediata. Como esta é a primeira grande viagem ao ‘desconhecido’ e temido Fim do Mundo, todos estavam muito preocupados em coletar dados. Um ano de intensos preparativos, desde a leitura de uma infinidade de materiais coletados na internet, relatos de viajantes e até propaganda de agências de viagens. Foi traçado o roteiro. A partir daí decidir o que  levar, possibilidades de acampamento ou não, etc, etc. Para que esta comunicação fosse possível simultaneamente por todos os participantes, formamos um grupo de discussão no Yahoogrupos. Este grupo chegou a ter dezoito participantes, mas somente sete participaram efetivamente da viagem:
Os componentes que moram em Natal embarcaram os carros em um caminhão cegonha até Porto Alegre e seguiram de avião. O restante do grupo foi de carro até o Rio Grande do Sul. Marcamos nosso encontro para o dia 22 de janeiro de 2004 em Bento Gonçalves – RS, na casa dos pais do Milani que nos receberam muitíssimo bem. Passamos o dia confraternizando e discutindo a viagem, obviamente.
Como eu e Marinês temos nossos familiares em Caxias do Sul, fomos até lá nos despedir e passar o tempo ainda disponível com a família e amigos. O dia seguinte seria a viagem.

INTEGRANTES: 28 dias de viagem, ida e volta de Porto Alegre.

Enio e Marinês – Toyota CD                        Natal – RN
Zé e Catarina e Odileno – Toyota CD        Natal – RN
Álvaro e Mara – Land 110                            Natal – RN
Alexandre e Gleide – Land 90                    Natal – RN
Milani e Vilma – Blazer diesel                     Rio de Janeiro – RJ
Túlio e Heloisa – Land 110                        Macaé – RJ
Cabral e Neide – Land 90                          Goiania – GO

PONTOS MARCANTES DA VIAGEM:

– O pampa gaúcho, do Brasil à Argentina, é fantástico!
– Bariloche é ponto obrigatório. Mesmo com pouca neve é sempre maravilhosa!
– A Carretera Austral até Puyuhuapi, com suas montanhas e matas e mais o clima de inverno foi esplendoroso!
– Ventisqueiro Colgante a geleira ‘pendurada’ é sensacional!
– Nosso primeiro acampamento totalmente selvagem no meio do deserto patagônico foi inesquecível!
– A mudança na paisagem deixando o verde das florestas e passando para mais desértica, com lagos e rios multicoloridos, é inexplicável!
– Fitz Roy e a cidade de El Chalten aos seus pés são uma visão estupenda!
– A majestosa geleira Perito Moreno é fora do comum!
– Torres Del Paine e arredores são monumentais!
– Treking subindo, subindo e subindo as Torres Del Paine, é incansável!
– Atravessar o Estreito de Magalhães traz recordações da época de escola, é memorável!
– USHUAIA – sonho realizado!
– Costa Leste argentina com seu vento patagônico e suas falésias repletas de vida selvagem é indescritível!
– Península Valdez, imperdível!

23-01-2004 – A viagem começa aqui. Apesar de um ano de intensos preparativos a expectativa é grande. Todos os carros foram equipados com rádio transmissor VHF para a conversa correr animada. A primeira parada foi Pantano Grande, RS, para comer o tradicional pastel de beira de estrada. Descansamos um pouco e seguimos, atravessamos o pampa gaúcho, ultrapassamos a fronteira em Santana do Livramento/Rivera, seguimos pelo pampa Uruguaio, atravessamos o Rio Uruguai em Paysandu e dormimos em Concepcion Del Uruguay. O Hotel Cassino é muito antigo e estava em péssimas condições de manutenção, mas o cansaço sempre vence.

24-01-2004 – Passamos um tempo consertando problemas elétricos na Land do Alexandre. Deu curto circuito na seta pisca. O Magaiver Túlio tentou o conserto, mas no fim tivemos que recorrer a um eletricista profissional.
Saímos mais tarde e acabamos dormindo em Santa Rosa – AR, no Residencial Calden, mas antes saboreamos uma bela parillada.

25-01-2004 – Seguimos para Bariloche tranquilos, só apreciando a Patagônia Argentina. Só fomos parados por uma barreira fito-sanitária para a dedetização dos carros, mediante um módico pagamento, e seguimos viagem.

26-01-2004 – Passamos o dia passeando por Bariloche, visitando a cidade, fomos ao Cerro Otto almoçar no restaurante rotativo e subimos o Cerro Catedral, apesar de não ter neve nesta época do ano, mas a subida de teleférico e a vista compensam a subida.

27-01-2004 – Saímos cedo em direção sul. Passamos por El Bolson, 120 km de Bariloche e fomos visitar uma feira que estava acontecendo. Tinha desde comidas a artesanato. El Bolson foi invadido por artesãos, músicos, escritores e artistas de todo tipo e por isso mesmo a feira é super diversificada.
Na divisa Argentina/Chile uma placa bastante interessante nos alertava: LA TIERRA NO LA HEREDAMOS DE NUESTROS PADRES SOLO LA TOMAMOS PRESTADA DE NUESTROS HIJOS (a terra nós não herdamos de nossos pais somente tomamos emprestada de nossos filhos).
O clima a partir do Passo Internacional Rio Futaleufú começa mudar. A temperatura cai um pouco e uma névoa fina umedece e se mistura com a vegetação abundante nas encostas das montanhas que por sua vez são encimadas por uma camada de neve remanescente do inverno que se foi. Visual lindíssimo.
Chegamos a Futaleufú. É uma cidade pequena mas muito simpática, bem cuidada, uma praça muito bonita, casas simples mas tudo parece organizado e limpo. Ficamos no principal e simpático hotel da cidade, a Hosteria Rio Grande, todo de madeira, e principal ponto de encontro dos aventureiros que descem o Rio Futaleufú fazendo rafting e canoismo. Aliás, Futaleufú é considerada uma das capitais mundiais de rafting. Jantamos no próprio hotel um gostoso salmão acompanhado de um bom vinho nacional (chileno!) ao lado da lareira.

28-01-2004 – Acordamos cedo e seguimos nossa viagem em direção a Puyuhuapi. Andamos devagar para poder curtir o visual e tirar muitas fotos. É um caminho fantástico, as cascatas de água de degelo descendo as altas montanhas, o verde intenso da mata e o amarelado dos musgos e tudo misturado com a névoa que ainda estava presente. Os belos rios com águas transparentes e com fortes correntezas e suas pontes, compunham um cenário magnífico. Tivemos uma breve parada na estrada devido à queda de uma barreira, mas sem consequências maiores.
Puyuhuapi é uma pequena cidade portuária, mais parecida com uma vila, fundada por alemães. As casas são predominantemente de madeira com influencia alemã em sua arquitetura. Ficamos hospedados em uma pousada que era a própria casa de uma família alemã. Muito confortável e cercada por um grande jardim florido. Visitamos a fábrica de tapetes da família e ficamos admirados com a destreza das mulheres que confeccionam os tapetes. Não se consegue acompanhar o movimento das mãos destas artesãs, tamanha a velocidade. Só depois de pedir para fazerem devagar a gente percebe o trabalho, e que trabalho! À noite fomos jantar no Café Rossbach, de propriedade da mesma família dona da pousada e capitaneada pela matriarca. Ela nos serviu um prato de paleta de porco cozido no vinagre, água, folhas de louro e sal. Estupendo!

29-01-2004 – 9:00 horas já estávamos prontos para seguir até Coihaique. Primeiro passamos pelo Parque Nacional Queulat para vermos o Ventisqueiro Colgante. Vale à pena. É uma geleira que está ‘escorrendo’ entre duas montanhas e no seu final tem um precipício que quando um bloco de gelo se desprende e cai causa um estrondo assustador. Para chegar mais perto é preciso enfrentar um caminho íngreme e escorregadio no meio do mato, mas a vista do ventisqueiro compensa. O caminho continuou maravilhoso. Grandes lagos com intensa criação artificial de peixe, caminhos ladeados por um arbusto de folhas gigantes o que nos fez imaginar como os dinossauros deveriam se deliciar com elas. A estrada continua sendo de rípio, mas muito bem conservada. O que nos chamou muito a atenção foi a grande quantidade de toras de madeira caídas. Segundo informações que obtivemos e que não conseguimos confirmar, é que houve um grande incêndio provocado por pecuaristas que durou dois anos e consumiu uma quantidade imensa de florestas. Algumas fazendas aproveitaram estas toras para fazer cercas, cortando e colocando os pedaços um ao lado do outro fazendo um verdadeiro muro de centenas de metros.
Em Coihaique resolvemos fazer nosso primeiro acampamento. Encontramos um com razoável infraestrutura, banheiros com água quente, e gramado. Armamos nossas barracas e junto com a chegada da noite o frio foi aumentando. Mesmo com o frio ficamos até quase meia noite jogando conversa fora e saboreando um bom vinho.

30-01-2004 – Tiramos o dia para descansar e conhecer os arredores de Coihaique que é uma região lindíssima. Fomos ao supermercado reabastecer as dispensas e comprar carne para um churrasco. Este churrasco no acampamento foi especial porque abrimos 18 garrafas de vinho, e nem sentimos frio!

31-01-2004 – Próximo destino, Cochrane. O caminho continua deslumbrante, cercado de altas montanhas nevadas e o que mais chama atenção agora é o colorido dos lagos. Cada lago mais bonito que outro. As cores variam e é difícil traduzi-las. Mesmo quando há uma sequência de lagos, cada um apresenta-se com uma cor diferente do outro. Até mesmo os rios possuem cores diversas. É um verdadeiro show da natureza.
Cochrane, uma cidade pequena, mas com boa infraestrutura, muito visitada por turistas e pescadores. Alugamos uns chalés e dividimos cada um por dois casais.

01-02-2004 – A intenção era chegar a El Chalten, mas devido a alguns problemas tivemos que fazer uma parada estratégica. Saímos tarde de Cochrane. Fomos a uma telefônica para saber notícias de casa, comprar algumas coisas e acabamos saindo por volta de 11:00. Uma pequena demora na aduana Chilena e Argentina. Despedimo-nos da Carretera Austral e cruzamos a Entrada Baker. A partir deste ponto nota-se perfeitamente a mudança na vegetação que agora é mais rala prenunciando uma região desértica.
De repente ouço um barulho forte debaixo do carro e fico assustado. Paro e vou ver o que está acontecendo. Nada de grave, apenas a bucha da barra estabilizadora que caiu fora. Coincidentemente, Milani que estava uns 10 km adiantado, parado em uma ponte tirando fotos, diz que tinha acabado de pisar sobre uma mangueira velha com alma de aço e que achava que poderia quebrar o galho substituindo a bucha. Voltou e fizemos a ‘enjambração’ que ficou ótima, talvez melhor que uma bucha original. Seguimos viagem até Bajo Caracoles onde talvez pudéssemos acampar. Infelizmente o camping não oferecia muitas condições. Mesmo com o adiantado da hora, resolvemos seguir adiante até onde seria possível. À noite nesta época do ano e nesta latitude só escurece depois das 21:00. Combinamos que seguiríamos até o sol começar se esconder e aí, caso não encontrássemos nada melhor, procuraríamos um lugar para acampar. Depois das oito da noite finalmente achamos um capão com belas árvores na beira de um rio, coisa rara por aquelas bandas. Fizemos nosso acampamento totalmente selvagem. Uma maravilha de acampamento. Esse capão era usado por caçadores e era evidente porque até uma perna de Ema eles deixaram para trás. E pelo jeito eles estiveram por aí na noite anterior. Nos últimos clarões do sol, apareceu um motoqueiro, europeu (não me lembro da onde) pedindo ajuda pra ele e um amigo que estavam sem água e comida porque estavam com o pneu de uma das motos sem a mínima condição de conserto e já estava o dia todo procurando ajuda. Oferecemos abrigo mas o rapaz decidiu levar as coisas para o colega e passar a noite lá onde eles estavam. Combinamos que se eles voltassem de manhã cedo nós poderíamos levá-los até onde poderiam consertar a moto. Como não apareceram, supomos que já tinham conseguido carona.

02-02-2004 – Agora sim, direto para El Chalten e aos picos Fitz Roy. Depois de umas duas horas pela Ruta 40, apesar de ser de rípio está em bom estado, precisamos fazer uma parada na estrada mesmo para reabastecer as Lands que já estavam no limite de segurança quanto ao combustível. Esvaziamos as bombonas de diesel e seguimos em frente apreciando a bela paisagem, agora desértica com picos nevados ao fundo. Finalmente chegamos ao Parque Nacional Los Glaciares onde se pode ver a imponência dos picos Fitz Roy e a cidade de El Chalten aos seus pés.
Como o tempo estava bom, eu, Zé, Odileno e Milani resolvemos curtir mais um camping. No entardecer o reflexo do sol nas nuvens nos proporcionou um espetáculo de cores magnífico.

03-02-2004 – Aproveitamos o dia para desenferrujar fazendo um treking. Pedimos algumas informações e seguindo a sinalização subimos até um mirante onde se viam os picos com a geleira escorrendo nas suas encostas. Esta cena maravilhosa ainda estava um pouco distante e eu, Zé, Odileno e Túlio resolvemos fazer mais este esforço para chegar o mais próximo possível. Valeu à pena! Seguimos por um caminho no meio do mato bordejando um rio pedregoso e escalamos um dique formado pelos seixos de uma morena glacial que estava aprisionando as águas do degelo formando um lindo lago com pequenos icebergs e logo ali adiante as geleiras e os picos. Fantástico.

04-02-2004 – Seguimos para El Calafate seguindo as belíssimas paisagens já comuns por toda a região. O tempo continuava gostoso e decidimos acampar novamente. Conseguimos um camping próximo ao centro da cidade e com churrasqueira. Reabastecemos as caixas de mantimentos, compramos carne para o churrasco, afinal de contas a churrasqueira não poderia ficar sem fogo, e as roupas mandadas para lavanderia.

05-02-2004 – A majestosa Geleira Perito Moreno é fora do comum! É difícil descrever o que se vê e o que se sente próximo a uma geleira como esta. Sua parede frontal de gelo em torno de 60 metros de altura provoca um estrondo cada vez que uma placa de gelo desmorona. Fizemos um passeio de barco pelo Lago Argentino passando perto do Perito Moreno. Também escalamos a geleira, colocamos os grampões, que é uma espécie de sandália de ferro com pontas no solado para não escorregar no gelo e mais luvas para não machucar as mãos em caso de queda. Uma sequência de subidas e descidas no gelo admirando o azul neon intenso nos buracos no gelo nos fez parecer meninos brincando. No final do passeio, nos foi oferecido whisky com o gelo do próprio Perito Moreno. Show de bola e inesquecível!

06-02-2004 – Para as Torres Del Paine. Um trecho pequeno onde o rípio não deu trégua, muita poeira e costelas de vaca. A minha Toyota perdeu parte do para-choque dianteiro devido à trepidação e o tanque da Toyota do Zé rasgou o tanque por causa de uma pedra. O Zé ‘remendou’ o tanque com durepox, que segundo ele, é melhor que solda, e seguimos viagem. Novamente escolhemos acampamento. Túlio e Álvaro preferiram procurar hotel para ficar, mas acabaram voltando para o acampamento porque são tinha vaga em hotéis muito caríssimos. O acampamento foi excelente. Boa infraestrutura e um lugar especial, aos pés das Torres. Armamos as barracas e eu e Alexandre fizemos um carreteiro com as sobras do churrasco de El Calafate. E fizemos em três panelas sobre três fogareiros de camping e tudo ao mesmo tempo, de orgulhar qualquer gaúcho. Mas bá tchê!

07-02-2004 – Enquanto o pessoal preferiu passear de carro, eu, Marines, Milani e Vilma, decidimos fazer um treking e subir a montanha. Mochila nas costas com água e começamos a subir, subir, subir…..chegamos a um ponto que pensamos em desistir mas teimosamente subimos mais um pouco e se descortinou uma vista espetacular de um vale magnífico. Pensamos em seguir o vale, que era descida mais ou menos suave, mas pensamos na volta e aí sim acabamos desistindo. Tudo bem, já foi o suficiente e o esforço foi muito bem recompensado. Voltamos ao acampamento exaustos, almoçamos e caímos na cama, digo, nos colchonetes. Dormimos uma boa parte da tarde e aí pegamos os carros e fomos visitar as redondezas do lugar. Não é nem preciso dizer que foi de uma beleza impressionante.

08-02-2004 – Seguimos para Punta Arenas sem nenhum problema, só apreciando a paisagem. Um fato que chamou a atenção de todos foi a quantidade de lebres mortas no leito da estrada. O interessante é que o movimento na Ruta 40 é pequeno pela quantidade de bicho morto. O Zé recolheu uma dessas lebres atropeladas e ainda agonizando, mas que morreu logo em seguida, e colocou na caçamba da Toyota dizendo que seria um desperdício não comê-la.
Passamos por Puerto Natales onde abastecemos, fizemos um lanche e seguimos. Em Punta Arenas ficamos em um hotel pequeno, mas confortável. Neste mesmo hotel estavam hospedados três motoqueiros brasileiros de Bento Gonçalves, que também estavam indo para Ushuaia. O Zé escolheu uma pousada onde, segundo ele, acabou saboreando a lebre.
O Túlio acabou indo para a zona franca, mas não comprou nada porque os preços não estavam convidativos. Segundo a programação da Heloisa, ela teria que pegar o avião aqui para voltar a Macaé onde tinha compromissos. Mas o Túlio ‘Magaiver’ continuou a viagem conosco.

09-02-2004 – Rumo a Ushuaia. Saímos cedo e 10:00 horas já estávamos atravessando o Estreito de Magalhães. O famoso Estreito de Magalhães que ouvimos falar tanto no nosso tempo de escola, agora estava aí na nossa frente. Preferimos fazer a travessia por Punta Delgada ao invés s Punta Arenas. O motivo de nossa escolha foi que o preço do ferry aqui era muito maior que em Punta Delgada e também porque provavelmente não iríamos todos de uma vez e isto poderia demandar um tempo grande de espera até todos atravessarem. Quando chegamos a Punta Delgada a fila carros era enorme e metade do pessoal ficou para fazer a travessia na outra vez. Mas a travessia é rápida, cerca de 20 minutos. Do outro lado do canal tem um terreno minado! Ainda do tempo das escaramuças entre Chile e Argentina. Uma péssima visão. Logo mais adiante entramos na Província de Tierra Del Fogo onde se lê uma placa bem grande e vistosa “Las Malvinas son Argentinas”.
À medida que nos aproximávamos de Ushuaia o tempo foi fechando e o céu escuro sobre as montanhas era mais uma visão inusitada para nós.
USHUAIA – BIENVENIDOS A LA CIUDAD MAS AUSTRAL DEL MUNDO – Esses são os dizeres escritos no portal, na entrada da cidade. Apesar do frio, paramos para registrar em fotos o objetivo alcançado. Entramos na cidade já tarde da noite mas, conseguimos uma bela pousada com chalés em meio a um bosque, e um enorme cachorro que só sabia fazer agrado para ganhar alguma coisa para comer.

10-02-2004 – Passamos o dia procurando concessionárias para agendar alguns pequenos consertos, troca de óleo e na parte da tarde fomos passear. Fomos a Estación Del Fin Del Mundo fazer o passeio de trem. De certa maneira foi uma decepção porque o bilhete não é barato, o trem é pequeno e o passeio é lento demais, curto e uma voz narrando o que os pobres presidiários sofreram naquelas terras tendo que cortar árvores no inverno. Coitados! A narrativa era tão ‘apelativa’ que quase ficamos com pena daqueles criminosos assassinos, estupradores, ladrões, etc. Tudo bem, ir a Ushuaia sem andar no trem Del Fin Del Mundo é como ir a Roma e não ver o Papa. Depois fomos até a Bahia de La Pataia. Um passeio muito bonito passando pelo Canal de Beagle e ficamos conhecendo o que um castor é capaz de fazer. Alguns anos atrás, alguém teve a ideia de importar castores do Canadá para ver se eles se adaptavam naquela região. Não só se adaptaram como acabaram fazendo um grande estrago construindo grandes represas com galhos o que provocou um desmatamento apreciável. O jeito foi levá-los de volta ao Canadá.
Neste parque, tem uma placa que indica o final da Ruta 3 e a distância deste ponto até o Alasca de 17.848 km. Fiz questão de tirar uma foto apontando para esta distância e prometendo a mim mesmo que esta será uma meta a ser perseguida tão logo esteja aposentado.
À noite fomos comer a famosa centolla, o caranguejo gigante da Antártica. Saboreamos a centolla em um bom restaurante acompanhados por um casal de dançarinos de tango. A dançarina queria dançar com um de nós homens, mas ninguém se atreveu, só a Gleide arriscou uns passos com o dançarino, e se saiu muito bem, diga-se de passagem.

11-02-2004 – De manhã levamos os carros para a troca de óleos e filtros e alguns reapertos. Enquanto os carros estavam na oficina, passeamos pela cidade procurando lembrancinhas para levar ou algo mais interessante. Aliás, o que surpreendeu a todos foi a grande quantidade de turistas e a infraestrutura da cidade para recebê-los. Alguém disse: “isto aqui está mais movimentado que a Disney”. Fomos conhecer o cais e seus grandes navios e transatlânticos indo ou chegando da Antártica.
Enfim, Ushuaia é uma cidade muito bonita e gostosa.

12-02-2004 – Saímos cedo de Ushuaia, no clarear do dia, muito frio e caindo uma neve fina. Aí percebemos, olhando para os picos nevados que nevou durante a noite embelezando ainda mais o contraste entre o escuro da manhã com os picos pretos encimados pela neve branca recente. Passamos pelo mesmo portal que nos deu as boas vindas, mas agora registramos o outro lado com o BUEN VIAJE – HASTA PRONTO.
Atravessamos novamente o Estreito de Magalhães e desta vez fomos acompanhados por alguns golfinhos pequenos, de cor branca com preta, parecendo pequenas orcas.
Sabíamos que a partir de agora pegaríamos boa estrada asfaltada e o temível vento patagônico.
E assim seguimos até Puerto Santa Cruz onde pernoitamos.

13-02-2004 – Próximo destino: Comodoro Rivadavia. Em Puerto San Julián pegamos alguns desvios de rípios e também algum off road para chegarmos ao litoral. Subimos uma falésia bem próxima ao mar e aí sim sentimos o vento patagônico que quase nos derrubava lá de cima e lá em baixo o mar bravio. O visual das falésias com camadas compostas quase que exclusivamente de conchas calcárias de bivalves de grande porte, geologicamente falando, é muito interessante.
Daí, seguimos a oeste e fomos visitar os Bosques Petrificados de Jaramilho. Em torno de 80 km antes da cidade de Jaramilho, tem uma placa indicando entrada à esquerda até os bosques e que são 50 km. Ida e volta são 100 km, mas vale à pena. A estrada de rípio é boa e ladeada por enormes mesetas com seu topo extremamente liso e plano formando um visual topográfico deslumbrante. Na chegada ao parque há um pequeno museu e um guarda parque que dá as orientações e nos guiam pelo parque. Podem-se ver troncos petrificados gigantescos. Uns com mais de 35 metros de comprimento (estão caídos) e chegando a 3 metros de diâmetro. Impressionante o que a natureza fez. Esta á a prova que naquele lugar, agora um deserto, já foi uma selva exuberante. A explicação é que a uns 130 milhões de anos, esta floresta desapareceu por causa da ação de vulcões que soterraram estas árvores gigantescas com suas cinzas e que, com a ação dos ventos e da água, esta cinza foi removida expondo estes troncos já silicificados.
21:00 horas estávamos chegando a Comodoro Rivadávia e vimos um posto G3 com um caminhão tanque da Petrobrás descarregando combustível. Como somos petroleiros, resolvemos parar para conhecer mais este posto pertencente à rede de postos recentemente adquirida pela Petrobrás. Comemos um bife excelente, tomamos café e seguimos até Comodoro.
Como chegamos muito tarde à cidade, nos dividimos para procurar algum lugar para ficar. Depois de muito procurar achamos um hotel, Hotel Azul, mas não tinha aposentos para todos, apenas três. Fizemos um arranjo em que os homens poderiam ficar em dois quartos e as mulheres no outro, maior. O Zé, Catarina e Odileno procuraram outra pousada. Para espanto de todos, o proprietário não aceitou que os homens dormissem juntos e nem as mulheres tampouco! Achava que aquilo não ficava bom para a imagem do hotel (ele estava imaginando sacanagem!). Daí, resolvemos separar por casais e ficar dois por quanto.
Nota: Na Argentina não encontramos motel. Será que eles não….

14-02-2004 – Comodoro Rivadávia é uma cidade grande com toda infraestrutura necessária. Na parte da manhã fomos visitar a cidade, fazer algumas compras e a tarde fomos até Camarones ver os pinguins. No caminho andamos um pouco sobre as praias formadas por seixos arredondados e muito bem selecionados o que dificultava o deslocamento. Em um dado momento, a Toyota pediu uma primeira reduzida e 4×4 para sair do ‘atoleiro’. Engraçado atolar em seixo.
Esta pinguineira é uma das maiores do mundo chegando a ter até meio milhão de animais na época do acasalamento. Quando chegamos lá não havia tantos, mas o suficiente para imaginar aquele lugar repleto de pinguins. É uma reserva e paga-se para entrar e desfrutar de certa infraestrutura que conta com caminhos feitos de madeira. Pode-se chegar bem perto dos bichinhos para fotografar, mas não é aconselhável colocar a mão porque a bicada deles pode ser muito dolorosa. A colônia era formada principalmente por filhotões e percebia-se que alguns deles já estavam ‘tomando aulas’ para entrar no mar e sair pelo mundo. Muito bonito apesar do mau cheiro devido aos excrementos.

15-02-2004 – Chegamos a Puerto Madryn cedo e com bom tempo. Novamente, eu, Milani, Zé e Cabral resolvemos acampar. Achamos um bom acampamento, armamos as barracas e aproveitamos para organizar um pouco os carros, principalmente o Cabral com sua mania de limpeza colocando a Super Neide pra trabalhar.
À tarde fomos para a Península Valdez passando pelo Puerto Pirâmides indo em direção a Punta Delgada para ver os elefantes marinhos. Na chegada, paga-se ingresso, e nos é indicado uma direção. Vamos caminhando até a beira de um penhasco e de lá se pode ver algo como pedras grandes alongadas, mas que se mexem, são os elefantes marinhos. Descemos a pirambeira e lá em baixo tem um biólogo que nos orienta para nos movimentarmos devagar e abaixados o máximo possível para não rivalizar em tamanho com eles, principalmente com os machos que são mais agressivos. É impressionante poder admirar estes animais bem de perto. As fêmeas são mais atrevidas e se aproximam das pessoas, a poucos metros, enquanto os machos ficam de longe e as vez em quando tentam se locomover ameaçadoramente, mas são tão enormes e desajeitados que desabam logo sob o seu próprio peso e ai ficam imóveis.
Daí, voltamos à estrada que circunda a península, uma estrada de rípio em boas condições e que volta e meia pode-se parar em lugares estratégicos para observar as colônias de pinguins, leões marinhos, tatus, lebres, etc. Sem dúvida Península Valdez é um lugar especial.
À noite fomos comer uma paella que, sem dúvida alguma, e não é só minha opinião, mas foi a melhor paella que já comi na minha vida. Inesquecível.

16-02-2004 – Só a partir de agora a viagem assume ares de volta. Seguimos pela pampa argentina até a cidade de Azul. Ficamos no Hotel Três Arroios e jantamos nele também. Não tivemos coragem e nem tempo para irmos dar uma volta na cidade. Além de que, o tempo estava chuvoso.

17-02-2004 – Seguimos para Buenos Aires. Uma e meia da tarde já estávamos no Restaurante La Estância, no centro de Buenos Aires, saboreando um belo bife de carne argentina. A partir daqui a turma se dividiu. Eu/Marinês, Milani/Vilma, Túlio e Cabral/Neide seguimos viagem enquanto Zé/Catarina/Odileno, Álvaro/Mara e Alexandre/Gleide permaneceram em Buenos Aires para poder conhecer e aproveitar melhor a capital argentina.
Saímos do restaurante e fomos procurar o ferry para atravessar o Rio de La Plata. Apesar de alguns erros de caminho conseguimos chegar ao porto e embarcar para Montevideo. Chegamos próximo das oito horas da noite e ainda estava claro. Decidimos atravessar a cidade e procurar um lugar mais sossegado para pernoitar. Chegamos a Piriápolis e ficamos no Esmeralda Hotel. É uma cidade a beira do Rio de La Plata, com uma orla ornamentada com palmeiras e bem movimentada durante a noite.

18-02-2004 – Seguimos viagem passando pelo badalado balneário Punta Del Este com suas mansões e cassinos impressionantes. Aí é que tá a dinheirama!
A poucos quilômetros da divisa com o Brasil, fomos visitar o Forte Santa Tereza, construído em 1762 pelos portugueses para o caso de guerra com a Espanha. Está muito bem conservado e é a fortaleza mais expressiva do Uruguai e realmente é muito bonita e interessante.
Almoçamos no Brasil, em Chuí. Compramos algumas bugigangas e alguns litros de whisky na zona franca, visitamos o litoral e daí seguimos para Pelotas.

19-02-2004 – Pernoitamos e acordamos cedo. Lá vamos nós para o final da viagem. Atravessamos o Banhado do Taím e chegamos a Porto Alegre onde oficialmente demos por encerrada esta grande viagem, aventura, prazeres, sonhos, companheirismo…..

1995 – Porto Alegre para Pueto Montt

Na época em que foi feita a viagem não havia a intenção de se escrever sobre ela e por isso não fizemos relatos e nem filmes. Mas vamos tentar colocar o resumo e alguns fatos mais relevantes.

INTEGRANTES:

Enio/Marines/Emili(10)/Nani(9) – VW Voyage
Milani/Heloisa/Flavio(11)/Luiza(8)/Mariana(6) – Ford Royale

ROTA:

Porto Alegre – Paysandu(UY) – Mercedes(AR) – San Rafael – Las Lenãs – Mendoza – Santiago (CL) – Valparaiso – Curanilahue – Villarica – Puerto Varas – Bariloche (AR) – Bahia Blanca – Buenos Aires – Montevidéu(UY) – Rocha – Porto Alegre.

Foram trinta dias de férias. De dezembro de 1994 a janeiro de 1995. Partimos de Porto Alegre, atravessando o Uruguai até Mercedes. Atravessamos o Pampa argentino até San Rafael.
Decidimos ir visitar o centro de esqui de Las Leñas. Decepção! Estava tudo fechado, inclusive com correntes atravessadas nas ruas para ninguém entrar. Claro, era verão! Não tinha neve e nem turistas (só nós!). Mesmo assim deu pra ver a opulência do lugar. Como não tínhamos onde ficar resolvemos voltar logo para não pegar a noite na estrada. No caminho, já um pouco tarde, conseguimos um hotel termas que abriu as portas para nós. Tentamos tomar banho nas termas, mas o cheiro forte de enxofre não nos animou. À noite fomos ‘convidados’ a participar da ceia de final de ano com a família do proprietário do hotel e, claro, mediante o pagamento de uma módica (nem tanto!) quantia. Tudo bem, aceitamos. Próximo da meia noite um garçom aparece jogando a bandeja de inox no chão, fazendo o maior barulho. Segundo nos disserem, isto fazia parte do ritual. Logo após foi servido o jantar, prato individual. O garçom colocou o prato em frente a Marines e disse que aquele era o prato especial e que ela iria adorar. Como a luz estava lusco fusco, ela só notou que no prato tinha algo parecido com uma pequena bolsa que, quando cortou saiu um liquido esquisito. Pronto, já ficou desconfiada e não quis mais experimentar a tal da comida especial. Trocou o prato comigo e eu que não recuso quase nada, acabei comendo. Achei muito parecido com o gosto de testículo de touro e depois o garçom confirmou que realmente era ‘huevo de chivito’ (bode).

Subimos até Mendoza e daí até Santiago. A subida dos Andes é simplesmente fantástica, muito bonita. Passamos pela Puente Del Inca, ao lado do Aconcágua com seus 6.659m de altitude, o túnel Cristo Redentor que tem três quilômetros de extensão e finalmente na fronteira AR/CL. Tivemos que colocar todas as frutas no latão do lixo e o carro todo revistado. Após a fronteira começamos a descida. A descida de Los Caracoles é deslumbrante. São aproximadamente cinco quilômetros de descida íngreme e em caracol, fantástico! Digno de cartão postal.

Chegamos a Santiago e conseguimos um hotel pequeno, mas confortável e preço razoável. À noite saímos para assistir a um show de tango próximo ao hotel. Chegando lá, ainda muito cedo, o porteiro nos olhou com cara de poucos amigos e disse não saber se ainda tinha lugar para nós. Ficamos com a pulga atrás da orelha, mas ficamos esperando. Com a chegada dos convidados nós descobrimos porque aquele olhar do porteiro. É que nós não estávamos adequadamente vestidos para aquele recinto, isto é, estávamos com roupas muito simples e quem estava chegando estava vestido de gala. Com a nossa insistência conseguiram um lugar, mas era a última mesa, a mais distante de tudo e todos. Em seguida vem um garçom e nos diz que tínhamos que fazer um consumo mínimo, e que era uma grana preta, e caso não consumíssemos poderíamos nos retirar. E foi o que fizemos, fomos embora!
No outro dia alugamos uma van e fomos visitar os principais pontos turísticos de Santiago.

De Santiago nos dirigimos à Viña Del Mar. Na entrada da cidade fomos ‘atacados’ por guias que acabaram nos convencendo que alugar um apto mobiliado seria mais em conta que um hotel. Embarcamos nesta canoa furada e alugamos o apto. Tudo parecia bem até chegar a noite e aí constatar que os lençóis estavam grudados com grampos e muito sujos. Com certeza eram lençóis que muitos já tinham passado por eles.
Apesar deste inconveniente, Viña é uma cidade muito bonita com seus prédios inclinados, pelicanos e gaivotas na beira da praia, cassinos e hotéis. Por tudo isso é considerada a capital do turismo do Chile.
Demos uma passada por Valparaíso. Cidade muito movimentada e aparentemente sem muitos atrativos.

De Valparaíso seguimos pela Rodovia Pan-americana para o sul, sempre com os Andes a nossa esquerda. Estrada muito boa e bem sinalizada. Resolvemos dar uma entrada em direção ao Oceano Pacífico e acabamos saindo na cidade de Curanilahue. Uma cidade tipicamente mineira, exportadora de carvão, casas de madeira aparentemente sem muita ordem e a julgar pela quantidade de placas oferecendo ‘Pollos’ deve ser uma grande consumidora de frangos do Chile. Paramos em um restaurante e pedimos para fazer um pollo no espeto. Até que estava bom!

Continuamos a nossa descida para o sul até a região dos Lagos Chilenos. Primeiro na região de Villarrica. Passeamos de  pedalinho no lago, comemos o famoso Congrio, peixe de água fria e tudo com vista para o Vulcão Villarrica. Uma beleza!

Descemos mais um pouco até o Vulcão Osorno. Subimos a sua encosta de carro até próximo a uma estação de esqui que estava abandonada por ser verão, mesmo assim subimos a pé até tocar à neve. Ficamos alojados em uma pequena pousada aos pés do vulcão e a beira do lago. Uma delícia!

Devagar fomos apreciando a paisagem maravilhosa desta parte sul do Chile até chegar a Puerto Montt. Por ser zona franca achávamos que iríamos fazer boas compras, mas o câmbio mostrou que não valia a pena. De Pueto Montt seguimos por estrada para Bariloche. No meio do caminho aparece Villa La Angostura, uma cidade pequena e muito aconchegante. Este trecho, por estrada de terra, estreita, entre montanhas, bosques e lagoas é sensacional!

Estamos em Bariloche. Famosa estação de esqui da Argentina e muito frequentada por brasileiros. Apesar de ser verão, o tempo estava um pouco frio e a cidade estava muito bonita, com suas lojas com casacos de pele, artigos para presentes, restaurantes e as chocolaterias tentadoras. Fizemos o passeio pelo parque Nahuel Huapi com paisagens maravilhosas. Tentamos subir o Cerro Catedral mas não estávamos preparados para o frio que estava fazendo lá em cima. Apesar dos avisos para não irmos devido o clima, fomos teimosos e chegamos até o segundo estágio do teleférico e dai tivemos que retornar com medo principalmente das crianças pegar um resfriado e estragar parte da viagem. Não pudemos subir o Cerro Otto de teleférico por estar interditado devido aos fortes ventos no dia.
De Bariloche atravessamos a Argentina até Bahia Blanca, onde visitamos o porto e daí seguimos para Mar Del Plata.
Mar Del Plata nos pareceu uma cidade muito moderna, limpa, organizada e muito simpática. O que mais chamou nossa atenção foi como os argentinos curtem as praias locais que, aliás, são muito movimentadas. Eles compram ou alugam um espaço coberto, como se fossem pequenas barracas, uma ao lado da outra, formando verdadeiros ‘conjuntos habitacionais’ com centenas de metros de extensão, e aí colocam todas as suas coisas, como isopor das bebidas, mesa, cadeiras, roupas, etc., e aí passam o dia, indo até o mar ou jogando ou brincando em frente a estas barracas.  Não é uma coisa comum aqui no Brasil.

De Mar Del Plata fomos visitar o Mundo Mariño, em San Clemente del Tuyú. É um grande oceanario temático, o maior da América do Sul, com diversas atrações. Lobos marinhos, golfinhos, baleia orca, pinguins, focas, shows com piratas e veleiros misturados com Jet ski, uma verdadeira festa para a criançada que deram muito trabalho na hora de ir embora.

De Buenos Aires pegamos o ferry boat para Montevideo. De Montevideo passamos por Punta Del Este para ver como os ricos passam bem (cada casa!) e daí seguimos para Porto Alegre.

Uma viagem inesquecível, mesmo ‘transportando’ cinco crianças na idade que pouco lhes interessa as bonitas paisagens, mas mesmo assim acabaram curtindo bastante e nós, os adultos, maravilhados com tanta beleza.

Links

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http://www.allterrainmotorhomes.com/
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http://www.bigfootrv.com/motorhomes/index.html
http://www.bimobil.com/
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http://www.grupoestradeiros.com.br/ Associação Paranaense dos Proprietários de Veículos de Recreação.
http://www.grupopenaestrada.com.br.. Associação Paulista dos Proprietários.
http://www.grupo.rodamundo.nom.br Associação Catarinense de Proprietários de Veículos de Recreação.
http://www.ranchomovel.com.br/
  . Associação Gaúcha dos Proprietários de Veículos de Recreação.
http://www.tocaes.com/ Associação Capixaba dos Proprietários de Veículos de Recreação.

SITES INTERESSANTES

http://www.absoluteoverland.com/ waypoints, links, tabelas e muitas dicas sobre viagens.
http://www.abenteuer-allrad.de/dicas e links relacionados a MH4x4 e 4×4 em geral.
http://www.africa-overland.net/Home   Site com diversos sites de overlanders
http://www.allrad-lkw-wiki.de/index.php/Hauptseite….sobre caminhões 4×4 e viagens oveland.
http://www.around-oz.com site australiano para motoromeiros com muitas informações e dicas práticas dos próprios proprietários de MH.
http://www.autocaravanismo.net/ portal CampingCar de Portugual.
http://www.beadbreaker.co.za/   dicas para consertar pneus.
http://www.derreisetipp.demuitas informações e links para viajantes.
http://www.die-reise.demuitas informações e links para viajantes.
http://expedicaoparquesnacionais.com.br/brasil/ ..Eduardo visita e descreve 60 parques nacionais – MH-TOYOTA BANDEIRANTES – Uma bela fonte ilustrada de informações – uma maravilha!
http://www.explorermagazin.de/ Jurgen de Hass – web-publicação sobre muitos assuntos que englobam o assunto MH. Muitas dicas, relatos de viagens, endereços, etc.
http://www.go-overland.com/ site voltado exclusivamente para overlanders. Muitas dicas, informações, etc.
http://www.gpsoz.com.au/tracks4australiamapas e tracks austrália.
http://home.hccnet.nl/helmie.paulissenCamping em Cusco PE  – relação e links dos overlanders que pararam lá – coordenadas de pontos de interesse na America Latina de alguns dos visitantes – GPS.
http://www.hupeverlag.de/   Ilona e Manfred – ÁFRICA – Viajantes que colocam em livros suas aventuras e informações dos países que visitam – Venda de livros guias e CDs com tracks da África.
http://www.macamp.com.br/index.htm ..,site brasileiro dedicado ao campismo, com muitas dicas, produtos, classificados, equipamentos, loja, etc.
http://www.mb-mobil.de/start1.htm Hanz-Jorg Schulze – site particular com diversas informações direcionadas a MH Mercedes Benz – encontros de MH-MB, fórum, etc.
http://www.members.lycos.nl/fotoswietsendorf/ site alemão com centenas de fotos de MH, diversos links (Alemanha) de fabricantes, fóruns, campings, rotas, viagens, etc.
http://www.mobiletouren.de/Informationen site privado (alemão) com muitas informações, dicas, truques, relatos, etc, sobre MH.
http://www.motorhomesaustralia.net excelente e importante site australiano para motoromeiros com dicas, informações de viagens, links, histórias de viajantes, mapas, etc.
http://wwwnc.cdc.gov/travel site sobre saúde de viajantes – doenças, tratamento, etc. MUITO IMPORTANTE
http://www.pagesperso-orange.fr/jean-pierre.rossi/ ..site do Motorhome – frances com muitas dicas úteis, endereços, etc.
http://www.proyectomapear.com.ar   comunidade de desenvolvedores de mapas da argentina para GPS Garmin – Grátis.
http://www.reiseberichte-aus-aller-welt.de muitas informações e links para viajantes.
www.safetravel.ch .. Site com dicas de saúde, doenças e vacinas para cada país.

http://www.tracks4africa.co.za/ comunidade de desenvolvedores de mapas da África. Congrega mapas de viajantes com pontos de interesse. Os mapas são vendidos.

FÓRUM – sites com foruns relativos ao assunto motorhomes

http://www.africa-overland.netO melhor site independente de overlanders na África. http://www.allradmobile.de/Expeditionsmobile/Allrad4.htm
http://www.autocaravanismo.net/ site português.
http://www.br.groups.yahoo.com/group/grupobobra/ grupo brasileiro sobre campismo e caravanismo – yahoogrupos
http://br.groups.yahoo.com/group/jaoobao/ grupo dos amigos do grande personagem do campismo brasileiro, Jão o Bão – The good 2.000 – http://residenciajb.sites.uol.com.br/ residência oficial de Jão o Bão ) toda feita de latas de refriegente e cerveja!
http://www.das-globetrotter-forum.deIntercambio entre overlanders e ausuários de GPS.
http://www.desert-info.ch/
http://www.expeditionportal.com/forum/ comunidade de overlanders
http://fr.groups.yahoo.com/group/cclf/  grupo de discuções francés.
http://www.globedrivers.com/
http://www.marokko-forum.comfórum sobre Marrocos, viagens, pessoas e cultura.
http://www.motorhome-list.org.uk/  Centenas de links relacionados a MH, campings, GPS, histórias de motoromeiros, grupos, artigos, etc.*****
http://www.leerkabinen-forum.de/
http://www.offroadtrucks-austria.com/ comunidade australiana de MHO – forum, galeria de fotos.
http://www.reiseberichte.com histórias de viagens em todo o mundo.
http://www.sahara-club.de

http://www.sahara-info.ch

http://www.weltreiseforum.de/ fórum para viajantes em geral – muitas informações sobre tudo que é necessário para uma viagem. *****
http://www.weltreise-forum.info
Informações pessoais sobre viagens de continente para continente.
http://www.womobox.de/phpBB2/index.php
http://www.wuestenschiff.de/  .informações sobre Sahara, Africa e Oriente Médio.

FABRICAS, PEÇAS, EQUIPAMENTOS E ASSISTÊNCIA TÉCNICA PARA MH NO BRASILASIL

http://www.macamp.com.brMACAMP – tudo sobre campismo – Dicas, Loja, Equipamentos, Guias, Serviço, etc.
http://www.mbtenergia.com.br .. MBT Comércio e Representações Ltda – Empresa especializada em instalações e projetos elétricos para MH. Empresa especialista em ENERGIA AUTÔNOMA – representantes da XANTREX no Brasil.
http://www.serjaoviaturas.com.brRevendedor no Brasil de caminhões 4×4 usados.
http://www.vettura.com.brfabricante de motorhomes – Eles que estão montando o CAMARADAHOME e o CARCARÁ

LIVROS E REVISTAS – livros e sites com bibliografia sobre viajanes e outros assuntos relativos.

http://www.revistamotorhome.com .. Única revista brasileira especializada em Motorhome.

http://www.extremos.com.br Portal brasileiro de aventura com muitas notícias, vídeos e alguns roteiros.

Challenging Your Dreams – Uma Aventura pelo Mundo.
Grace Downey e Robert Ager – Um livro muito bonito, muito interessante, bela coleção de fotos, bem escrito. Os autores viajaram mais de 168.000 km ao redor do mundo com sua Land 110 e contam as emoções vividas por eles. www.challengingyourdreams.com

Na Direção De Um Sonho
Murilo de Souza e Silva – Livro muito gostoso sobre uma família brasileira que coloca em prática o sonho de viajarem juntos – casal com dois filhos – pelo mundo. Foram dois anos com muita coragem em um motorhome feito em um ônibus.

Viagem ao Fim do Mundo
De Petrópolis à Terra do Fogo. Virgínio Cordeiro de Mello – Bastante interessante esta viagem de um médico/advogado com sua espôsa e filha em uma Kombi-home e seu entrosamento com as pessoas e suas peculiaridades.

Mundo Por Terra – Michelle e Roy, casal catarinense que deram uma volta ao redor do mundo em uma Land 110. Este livro é um relato da viagem com o dia a dia dos viajantes. Muitas dicas sobre a construção do MH sobre uma LAND. informações, curiosidades e muitas fotos. Também tem o Fotolivro com uma bela exposição fotográfica do casal em sua viagem. www.mundoporterra.com.br

Mundo Virado – Revirando a América do Sul
Roberto Luiz Colaço faz uma viagem pela América do Sul contando histórias e curiosidades em um belo e gostoso livro. www.mundovirado.com.br

Terra sem fronteiras
Joyce e Claudio, em uma LAND 90, contam as aventuras de uma viagem do Brasill, América do Sul até o Alasca. www.terrasemfronteiras.com/

WALDEMAR NICLEVICZ – Alpinista brasileiro que percorre o mundo procurando as melhores montanhas para suas escaladas. Em seu site ele conta detalhes de suas aventuras de alpinista e o importante papel de seu CAMINHÃO ANDINO, um motorhome overland genuínamente brasileiro. http://www.niclevicz.com.br

Todos os livros do AMYR KLINK, que não viaja de motorhome mas seus livros são obrigatórios para quem tem espírito de aventura, e é teimoso na busca de seus sonhos, mesmo que seja de motorhome.

DIÁRIO DE BORDO
André Magalhães Homem de Mello – As aventuras do primeiro velejador brasileiro a dar a volta ao mundo em solitário, sem escalas, pelo Oceano Austral. Também não é sobre motorhomes mas nos dá coragem de perseguir os sonhos.

MECÂNICA DIESEL – Caminhões – Pick ups – Barcos
Marco Rache A.M. – Apesar de ser um livro mais descritivo que técnico, vale a pena dar uma olhada.

http://www.travelvans.co.uk/index.htm
http://www.expeditioncampers.com/books.html
http://www.questconnect.org/
http://www.caravanandmotorhomebooks.com/ ..Collyn Rivers. Autor de diversos livros Best Sellers relativos a motorhomes –  Site muito interessante pelas dicas, livros, links etc.

Na Colômbia

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Na Bolívia

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No Equador

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