2007 – Rota Andina: Natal – Peru e Bolívia

Este relato foi copiado (com pequena edição) do blog de nossos amigos, companheiros de viagem e principais escrivães, Suzete e Marco Aurélio com a colaboração de todos os demais integrantes da expedição.
http://rotaglacial.blogspot.com/

ROTA ANDINA – Setembro/outubro/2007
Uma viagem pelo Peru e Bolívia

INTEGRANTES:

De Natal-RN:
Enio/Marinês
– Troller;
Alexandre/Gleide
– Land 110
Marco Aurélio/Suzete
– TR4;
Nakamura/Helenita
– TR4;
Álvaro/Mara
– Land 110

De Macaé-RJ:
Túlio/Heloisa/Adriano
– Land 110
Álvaro – artiniC/Rosângela – Bandeirante (sem turbina)

De Goiânia-GO:
Cabral/Super
– Land 90

PONTOS MARCANTES DA VIAGEM: 36 dias de viagem, ida e volta de Natal.

– Ver o enorme progresso em áreas que se pensa isoladas e inóspitas, tais como o extremo norte de MT, sul do PA, RO e AC, é surpreendente!
– Ser recepcionado pelo Sr. Balzan e Sra. Rosa e mais um grupo de amigos para participar de um grande churrasco em uma fazenda no meio de Rondônia, é uma delícia!
– Ter passado pela Transoceânica ainda em construção e ver homens trabalhando 24 horas, e antever que esta será, sem dúvida alguma, considerada uma das mais belas estradas do mundo, é uma primazia!
– Conhecer o pólo incaico de Machu Pichu, Vale Sagrado, Moray, Salinas….. sempre é fascinante!
– Atravessar os Andes e atolar o carro nas areias do Pacífico é insólito!
– Ver as Linhas de Nazca de cima é espetacular!
– Vale do Colca e os Condores Andinos, fantástico!
– Ter trilhado a estrada mais perigosa do mundo, a Estrada da Morte em Coroico, é grandioso!
– Ter comido Miojo e tomar banho de balde no hotel SHERATON*****, é inexplicável!
– Pegar mais uma greve na Bolívia, normal!
– Fazer uma pequena trilha no meio da Floresta Amazônica, é emocionante!

Agradecimentos especiais: AUTO ELÉTRICA NATALENSE – Av. Romualdo Galvão, 1244 PABX (84) 3221-0606. A maior e melhor loja de material elétrico automotivo.

7/9/2007 – Partimos! Às 07h30min. Alguns amigos (Queiroz e Maria do Carmo, Joinha e Enoque) prestigiaram a nossa saída, inclusive o Queiroz e Maria do Carmo, que nos acompanharam na Rota DUNAS 2006, presentearam cada integrante desta viagem com uma boa cachaça Samanau e charuto Cubano para não faltar o combustível da “rodadinha”. Rodadinha é o nome que demos ao um gesto do grupo que, ao final de cada dia, todos se reúnem, em roda, e cada um serve uma tampinha da garrafa de cachaça para o colega ao lado. Desta maneira todos bebemoram para agradecer aos deuses o bom dia vivido ;-)). Seguimos pelo Sertão Nordestino passando por Serra Negra do Norte – RN. Chegamos a Petrolina – PE as 19h, tendo percorrido 870 km. Acomodamo-nos no hotel “Grande Rio” às margens do Rio São Francisco.

8/9/2007 – Saímos com destino à Ibotirama passando pela Chapada Diamantina, a estrada não estava muito boa. Após 740 km percorridos, chegamos ao destino, terminando o dia com a “rodadinha” e ficamos no Hotel Glória (não recomendamos).

9/09/2007 – Houve um pequeno atraso na saída, pois o Troller do Enio precisou ser reparado. O destino de hoje é Luis Eduardo Magalhães – BA passamos por bonitas cachoeiras do ‘Redondo’ e ‘Acaba Vida’. Chegando ao destino, encontramos Túlio e Adriano (estes saíram de Macaé – RJ). E batizamos os amigos com uma “rodadinha”. O jantar foi no próprio hotel com uma ótima comida! Percorremos 356 km nesse dia.

10/09/2007 – Destino: São João do Javaés – Nesse dia saímos novamente tarde por conta do carro do Enio ter dado problema. Não conseguimos chegar a tempo e paramos em Gurupi para tentar pegar autorização para atravessar a Reserva Indígena, infelizmente não deu, pois era até as 17h. Pernoitamos no hotel Veneza Plaza. O jantar nesse hotel foi engraçado, pois não podiam servir todas as refeições ao mesmo tempo por falta de pratos. Percorremos 470 km nesse dia.

11/09/2007 – Às 8h estávamos todos na FUNAI para pegar autorização para atravessar o Parque Nacional do Araguaia. No entanto, após uma longa espera o responsável nos informou que não haveria possibilidade pelo fato de duas tribos estarem brigando entre si (Javaés – TO e Carajás – MT). Ali mesmo na frente da FUNAI, decidimos qual seria o próximo destino…. Traçamos o Plano “B”, então foi decidido que seguiríamos até a cidade de Nova Nazaré. Tivemos um bom jantar, arroz e feijão super temperados em meio a muita poeira da cidade. Pernoitamos no Hotel Regina após uma justa divisão de quartos. Percorremos 557 km.

12/09/2007 – Logo cedo vimos que o pneu do carro do Túlio estava furado. Ao longo do trajeto rumo à São José do Xingu – MT, contornamos a Reserva Indígena do Xingu. Passamos por várias plantações de algodão e soja. O pneu do Enio furou com uma chave de fenda deixada na estrada. À noite comemos no Disk Caldos uma deliciosa picanha e Pacú na chapa. Este Pacú na chapa é de lamber o beiço! Uma delícia. Percorremos 404 km.

13/09/2007 – Ao amanhecer a fumaça das queimadas na região já tomava conta da cidade. O destino de hoje é Alta Floresta – MT, local onde ficaríamos dois dias se não fosse a mudança de percurso. No caminho, encontramos o prefeito de Peixoto Azevedo (localizada no município onde houve acidente da TAM alguns meses atrás). Mais adiante nos deparamos com um acidente de moto onde havia uma criança de cinco anos ferida. Prontamente nossa amiga Mara socorreu o menino (Luan), mas nada de grave aconteceu. Percorremos 558 km.

14/09/2007 – Hoje o dia começou bem cedo para nós… Saímos as 5h rumo à Colniza para chegarmos antes de meio dia para pegar a balsa. Enquanto aguardávamos a balsa, comemos um delicioso peixe frito (Trairão) as margens do Rio Jurema. Quando estávamos chegando a Mara sentiu falta de sua bolsa… Paramos o carro e começamos a procurar… E nada…. Para surpresa de todos, Marco Aurélio encontrou dentro da bolsa térmica!! Descobrimos, então, que Álvaro estava fazendo uma espécie de lavagem de dinheiro. Passamos por longos trechos de bonita Floresta Amazônica. As queimadas também foram vistas várias vezes, poluindo o ar, destruindo a vegetação, matando animais… Uma pena! Mas como diz o Enio, enquanto a gente come um suculento bife, a mata pega fogo!
Percorremos 439 km.

15/09/2007 – Hoje nosso destino será a Fazenda do Alexandre em Machadinho do Oeste. Logo mais, às 7h estaremos partindo para mais um dia de aventura por um longo trecho de mais de 300 km de estrada de terra.
Após um longo trecho de estrada de terra chegamos a Fazenda Ferradura onde fomos muito bem recepcionados com muito churrasco e cerveja. Nesse dia mais dois integrantes se juntaram ao grupo: artiniC e Rosângela com a barraca no teto do Toyota Bandeirante e claro o guincho novinho! Todos foram dormir em suas respectivas barracas (não por muito tempo se o galo não cantasse às 2h).

16/09/2007 – O dia na Fazenda Ferradura começa com cheiro do leitão recheado sendo assado. Enquanto Túlio, Adriano, Marco Aurélio e Nakamura limpavam os carros, algumas mulheres lavavam roupa, outros arrumavam os carros. A festa rolou até o final do dia com muita música gaúcha, cerveja, cachaça e um delicioso leitão recheado. O gerador foi desligado o silêncio reinou e todos foram descansar para continuar a viagem no dia seguinte.

17/09/2007 – Hoje enquanto um grupo seguiu para outra fazenda para almoçar eu (Adriano) e Túlio seguimos para Porto Velho para encontrar com Heloisa. A impressão que eu e outras pessoas da Expedição tivemos na cidade não foi muito boa. É uma capital ainda recente que cresce a cada dia. Jantamos um delicioso peixe no Remanso do Tucunaré.

18/09/2007 – O destino de hoje é Rio Branco AC. Enquanto algumas pessoas ficaram na cidade para ir mais tarde, a Land Rover do Túlio e a Bandeirante do Álvaro seguiram. Em relação a Porto Velho, Rio Branco tem uma melhor aparência. Logo na entrada alguns comércios mais antigos estavam todos pintados de cores diferentes, passamos também pela Via Chico Mendes toda decorada. Enfim esta cidade nos deixou boa impressão.

19/09/2007 – Nossa última cidade no Brasil foi Assis Brasil para atravessar a fronteira para Porto Maldonado – Peru. A viagem de hoje foi pela grande obra da estrada Transoceânica que ligará o nosso país com o Mar do Pacífico. O último carro se junta ao grupo nesse dia com Cabral e a Super. Perdemos um longo tempo na Aduana no Peru para registrar todos os carros. À noite dormimos na Cabana Quinta e jantamos por lá mesmo, tudo corria bem se não fosse Nakamura roubando o pedido dos outros. Mas tudo bem tem troco. Assim como em outra viagem, Túlio perde a tampa do combustível.

20/09/2007 – Mais uma vez todos acordaram cedo rumo à Quince Mil. Tudo estava bem se não fosse o carro do Alexandre que deu problema, a mangueira de combustível estourou no meio do enxame de motocicletas da cidade (impressionante a quantidade de motos). Bom, como todos vieram equipados para o pior o cambão do Enio foi estreado para puxar o carro do Alexandre. Enfim continuamos a viagem pela estrada de terra (em meio a muitos caminhões da construção da Transoceânica). Atrasamos de novo, agora por uma ‘Tranqueira’, obras na estrada, onde só permitiam a passagem de veículos em determinados horários. Após a longa e cansativa jornada todos nós dormimos na Praça de Quince Mil dentro dos carros. O único privilegiado foi o artiniC que dormiu na sua barraca. Ah! O jantar foi pão com ovos e café em um humilde restaurante.

21/09/2007 – A bela cidade de Cusco é nosso destino de hoje (não sabíamos o que nos esperava pela frente). Após uma excelente noite dormida dentro do carro na pequena cidade de Quince Mil, saímos bem cedo, pois mais a frente haveria outra ‘Tranqueira’ em Marcapata. Chegando lá tivemos que esperar 5 horas até que a estrada fosse liberada. Enfim às 14h45min saímos por um perigoso trecho até Cusco em meio a muitos caminhões e precipícios. No entanto, como nada é perfeito o carro do Enio teve um problema: uma pinça do freio traseiro quebrou e travou o carro. Graças a presença do nosso Magaiver Túlio, desmontamos o freio, tiramos a pinça e fechamos o circuito colocando um parafuso no cano correspondente no cilindro mestre (ideia do Guerra). Foi muito complicado fazer todo esse esforço com pouco oxigênio e no frio! Enquanto um grupo ficou consertando outro seguiu a viagem. Com aumento da altitude quase todo mundo começou a passar mal mesmo com o uso do oxigênio. A estrada cada vez pior e a cidade parecia cada vez mais distante! Chegando ao Hotel Samay um médico foi chamado para atender os doentes. Alguns jantaram no Hotel e outros foram dormir cedo.

22/09/2007 – Hoje e amanhã ficaremos na charmosa cidade de Cusco. Enquanto alguns conheciam a cidade, outros mandaram lavar os carros, outros consertavam, outros dormiam. Enfim, cada um seguiu seu rumo para aproveitar e descansar dos últimos dois longos dias de viagem.

23/09/2007 – Ainda em Cusco um grupo seguiu para Machu Pichu e outros foram visitar Moray e uma salina. Moray é um conjunto de grandes escavações mais ou menos cilíndricas e concêntricas onde os Incas faziam suas pesquisas agrícolas. A salina é bastante interessante por se tratar de uma extração de sal muito rudimentar. Chegando perto da salina foi possível vê-la de cima e parecem uns cem números de pequenos tanques brancos. Chegando lá se desvenda o mistério. O pessoal aproveita uma fonte natural de água hipersalina e represa esta água em tanques evaporadores feitos na própria rocha da montanha e depois recolhem o sal depositado. A nota triste é ver crianças com os pés e pernas brancas de sal e calçando apenas chinelos velhos. A noite quase todo grupo se reuniu no Restaurante Inka, saboreamos deliciosos pratos de truta e massas. Discutimos o trecho seguinte e finalmente decidimos ir à Nasca (havia uma dúvida quanto às condições da estrada e o tempo que levaríamos).

24/09/2007 – Saímos por volta de 8 h por uma estrada sinuosa e por duas vezes ultrapassamos a barreira dos 4 mil metros. Dessa vez todos já estavam acostumados com a altitude e ninguém passou mal. A paisagem nesse trecho foi belíssima! Sendo sábia a decisão de ir a essa cidade. Paramos diversas vezes para fotografar e fazer filmagens. Chegamos ao Hotel Alegria e jantamos lá mesmo.

25/09/2007 – Sobrevoar as Linhas de Nasca e visitar os ateliers de cerâmica foram os passeios do dia. Por 45 min vimos do alto as inexplicáveis linhas de Nasca, infelizmente há muitas marcas de trilhas, confundindo assim os desenhos. O sobrevoo feito em pequenos aviões monomotores é bastante desconfortável pra quem não está acostumado ou enjoa fácil. Algumas pessoas do grupo preferiram ficar em terra firme com medo de sobrevoar (não citarei nomes para não haver constrangimento). Uma dica importante é fazer este passeio aéreo quando o sol está em posição inclinada, isto é, de manhã bem cedo ou de tardinha para que a sombra das linhas ressalte mais os desenhos. Enquanto o pessoal estava passeando, o Alexandre foi consertar a Land com problemas elétricos que fez a bateria quase explodir. Na oficina encontrou uma Land antiga com sobre teto. O Alexandre convenceu o mecânico e dono a vender este sobre teto. Feito o negócio, colocamos as peças no bagageiro da Land e esta lataria toda veio para o Brasil!

26/09/2007 – Saímos de Nasca para Chivay. A estrada bem sinuosa como as anteriores nos mostrou algumas lindas paisagens! Já perto de Arequipa tem-se a bela vista dos três imponentes vulcões, o Pichu Pichu, o Chachani e o Misti, que guardam a cidade. Chegando a Arequipa o parafuso que prende o alternador da Bandeirante do artiniC quebrou e prontamente Guerra, Enio e Túlio trataram de consertar. Enquanto um grupo consertava o carro o outro entrou na cidade para buscar nosso guia (para Chivay), engraçado é que ele se perdeu, atrasando um pouco o encontro com o restante do grupo. Ao se aproximar de Chivay, víamos do alto a iluminação pública fazendo um desenho de um puma. Muito interessante!

27/09/2007 – Hoje estamos em Chivay, a Casa dos Condores Andinos, para visitar o Cânion de Colca e o voo dos condores. No dia anterior quando chegamos fomos a uma pizzaria na Praça de Armas, infelizmente o atendimento foi muito ruim e a comida também não foi nada agradável. Alugamos um micro-ônibus com guia para fazer a visita ao Vale do Colca e ir até onde os condores podem ser vistos mais de perto. O vale é profundo e moldado por terraços Incas muito antigos, mas ainda hoje utilizados. Os condores realmente dão um show. Até parece que já são contratados para aparecerem e dar seus voos rasantes perante a grande plateia de turistas. A visita foi pela parte da manhã e ao meio dia saímos rumo a Puno. O carro do Alexandre quis dar sinais de problemas, mas felizmente era somente a pastilha dos freios. Na estrada para Puno pegamos um pouco de chuva que proporcionou um belo arco-íris com fundo escuro de uma tempestade que se aproximava, mas que felizmente não pegamos. Chegando à cidade foi difícil encontrar o hotel (Balsa Inn) por conta do rush de carros, moto táxis, bicitaxis… Enfim uma confusão!! A noite fria terminou com todos da Expedição jantando juntos, e a comida estava muito boa!

 A partir deste ponto o relato diário deixou de ser feito pelos nossos escrivãs ‘oficiais’ e por isso vou tentar resumir o que aconteceu de mais importante e pitoresco durante nossa viagem de volta para o Brasil.

28/09/2007 – Passamos o dia em Puno. Metade do pessoal foi fazer o tradicional passeio pelo Lago Titicaca para visitar as ilhas flutuantes dos Uros. São ilhas feitas de Totora, uma espécie de junco que são amarrados e sobrepostos em camadas com espessura média de 2 a 3 metros e onde os nativos constroem suas casas. Também com estes juncos são feitas as canoas que usam para sua locomoção. É um local que vale a pena ser visitado pela sua excentricidade. A outra metade do pessoal, que já conheciam o Lago Titicaca de outra oportunidade, preferiu ficar na cidade descansando e visitando os lugares mais pitorescos.

29/09/2007 – Saímos de Puno por volta das 09h com direção a La Paz. Atravessamos o Lago Titicaca em Copacabana. Esta travessia se faz por balsa que apesar de serem grandes, carregam apenas um carro de cada vez por medida de segurança. Feita a travessia, paramos um pouco mais adiante para comer Truta e Peixe Rei que são os peixes típicos servidos na região. Já chegando à tardinha, decidimos não enfrentar La Paz durante a noite e dormimos em um hotel em Huarina. Anoiteceu e esfriou bastante o que nos obrigou a sentar junto a lareira e degustar um bom whisky. De manhã os carros estavam com gelo no para-brisa que tivemos que raspar.

30/09/2007 – Saímos em direção a Corioco, em busca da Estrada dos Yungas ou ESTRADA DA MORTE! Próximo a La Paz os companheiros de viagem Álvaro/Mara e Guerra/Selma se separaram para voltar para o Brasil por outro caminho.
Cruzamos La Paz seguindo pela parte mais alta da cidade para evitar a confusão do trânsito. La Paz é a maior cidade boliviana, está a 3660 m de altitude e é considerada a capital porque o governo está sediado em La Paz, embora oficialmente a capital seja Sucre. La Paz é a capital mais alta do mundo. Mesmo com GPS é complicado. Contratamos um taxista para nos tirar do sufoco e sair logo da confusão. Pronto! Vamos ansiosamente em direção a Estrada da Morte. Logo no começo da estrada aparece uma grande placa informando que até aquele momento, desde o inicio do ano, já havia morrido 43 pessoas! Antes da reforma da estrada morria em torno de 300 a 350 pessoas ao longo de seus 64 km e 3.600 metros de desnível. Atualmente a estrada foi toda retraçada e asfaltada, mas conserva a parte mais sinuosa e perigosa como originalmente, isto é, de terra e com dezenas de cruzes na sua borda como testemunha dos diversos acidentes. O interessante é que tem cruzes em diversas línguas, evidência de que turistas também tem que prestar atenção! Esta parte mais perigosa agora é mais usada por turistas que descem com suas bicicletas ou mesmo carros, como nós. A estrada realmente é belíssima e desafiadora, mesmo na parte asfaltada é cheia de curvas e não tem proteção lateral e os precipícios são gigantescos, chegando até a 1.000 m!
Saímos da Estrada da Morte e vamos descendo em direção a floresta amazônica boliviana. A estrada continua perigosa e poeirenta a agora com movimento de caminhões. Interessante é que aparecem pequenas placas avisando que a partir daquele ponto a mão inverte, isto é, por vezes se tem a mão normal pela direita e depois muda para mão inglesa. Quase oito horas da noite, já estamos na floresta amazônica boliviana, chegamos a Yucumo. Encontramos um hotel bastante simples onde nem todos os quartos tinham banheiro, fizemos o sorteio dos quartos e depois fomos jantar em um restaurante de posto de gasolina.

01/10/2007 – Saímos de Yucumo com intenção de chegar a Guajará Mirim no Brasil. Como já estamos ao nível da Floresta Amazônica, o calor e a poeira começam a ficar sufocantes e muitas travessias de balsas. Logo na saída fomos avisados que estava tendo um ‘bloqueo’ próximo a Guayaramerin, cidade limítrofe Bolívia/Brasil. Como gato escaldado tem medo até de água fria, ficamos preocupados com a situação. Mesmo assim seguimos viagem. Com mais informações chegando, vimos que a situação estava se complicando e ficou definitivamente angustiante quando não conseguíamos mais encontrar diesel para os carros. As TR-4 não tiveram problemas com gasolina. O que fazer? voltar? seguir? Definitivamente vamos seguir até onde der e quando não der mais acamparemos. Foi exatamente o que fizemos. Tentamos arrumar diesel em qualquer lugar e por qualquer preço, mas só conseguimos uns poucos litros. O inusitado foi quando parei em uma casa/choupana na beira da estrada e fui recebido por uma índia com seu filho nos braços, desconfiada e despida da cintura pra cima e, não sei como, conseguiu entender que eu estava querendo diesel. Para minha surpresa ela disse que tinha 10 litros, mas eu tinha que pagar um tanto, o que equivalia a três vezes o valor real. Paguei e ela me deu um galão plástico, todo sujo, com uns 9 litros, mas, como só tem tu vai tu mesmo!
Desta maneira conseguimos chegar até uns 150 km antes da fronteira.

Esta parada foi uma daquelas paradas ou um daqueles fatos que ficam marcados para o resto da vida na cabeça de quem viveu aquela situação. Chegamos a um ponto da estrada onde tinha uma placa, feita de madeira: SHERATON ****. Paramos e fomos olhar as acomodações. O ‘hotel’ estava em péssimas condições! Pedimos permissão para acamparmos na frente do hotel e fazer uso de alguma coisa que fosse possível daquele lugar. Arrumamos os carros de modo que as barracas ficassem no meio e aí começamos com a já tradicional rodadinha, seguida de whisky, vinho…. Pronto, barracas montadas, vamos agora ao jantar. Ninguém estava muito disposto a encarar o ‘restaurante’ do hotel. Pedimos permissão para usar a cozinha e uma panela para fazermos a nossa própria comida. A Marinês se dispôs a fazer os famigerados kinojo, digo, os miojos. 10 pacotes! Como todo mundo estava morto de fome, acabou sendo um banquete. Depois a Marinês nos confidenciou que ela não sabia se recusava a panela e a colher oferecida pelo estado em que estes utensílios se encontravam. A cozinha não tinha piso, era de terra batida, tinha um jabuti, galinha dentro da cozinha mais um zoológico de animais rondando lá próximo. Fazer o quê?!
Jantamos, voltamos ao acampamento, um calor infernal, fomos tomar banho. Sem chuveiro, o banho tinha que ser tomado com balde e a água retirada de um poço. A Suzete passou todo seu antigo conhecimento de como jogar a lata dentro do poço para cair de boca pra baixo e encher de água. Foi uma gozação só, muita risada!!
E o combustível? Volta e meia passava um caminhão e parava ali mesmo ou logo adiante em outra casa/restaurante (do mesmo nível, ou pior, que o nosso SHERATON*****). Decidimos abordar os camioneiros. Não foi fácil convencê-los, mas com muita conversa, regalo (cachaça brasileira) e pagando o triplo do preço, conseguimos arrumar uns 80 litros. Colocamos 20 litros e cada carro e com isso pudemos seguir viagem.

02/10/2007 – Acordamos cedo, dividimos uma porção do mato para cada casal, de maneira que o casal X poderia ocupar o mato a direita, o casal Y à esquerda, o casal Z no meio… para fazer as necessidades matinais. Depois aguardar a vez no poço de água para o banho e finalmente um café coletivo no próprio acampamento. No final das contas foi INESQUECÍVEL este SHERATON***** boliviano!!!
Pelas informações recebidas dos caminhoneiros, o bloqueio ainda persistia e ninguém tinha ideia de quando cessaria o movimento. Decidimos ir para Cobija, fronteira Bolívia/Brasil, daí Epitáciolândia já no Acre e aí seguir até Rio Branco. Esta volta nos custou uns 450 km a mais do que se fossemos direto a Guajará Mirim(RO). A boa notícia é que mais adiante poderíamos conseguir diesel das embarcações. E foi realmente o que aconteceu. Conseguimos combustível para encher os tanques, pagando mais do que o dobro do preço, e seguimos viagem até Cobija. Esta parte da Bolívia, de floresta amazônica, é uma região bastante pobre, embora ninguém morra de fome porque tem caça e pesca, bastante quente, sem muita infraestrutura, alguns grandes rios para atravessar de balsa e que são bastante caras, mas é um trecho boliviano bastante interessante de ser visitado.
Chegamos a Cobija. Enquanto rodávamos procurando hotel, o Marco Aurélio foi parado, dentro da cidade, por dois policiais completamente bêbados. Ficou um de cada lado do carro, com a cabeça praticamente para dentro do carro, o que fez o Marco Aurélio e Suzete quase desmaiarem com o bafo exalado pelos policiais, que exigiam documentação, faziam recomendações sem muito nexo, etc. Marco Aurélio ficou bastante apreensivo e não queria usar o rádio para chamar o pessoal. O que fez foi deixar o PTT apertado e aí eu consegui ouvir a conversa e deduzi que ele estava em apuros. Fui até eles mas quando cheguei eles tinham acabado de ser liberados mas acabaram me parando também. Depois de alguma conversa também me liberaram. Felizmente foi só um susto.

03/10/2007 – Seguimos em direção a Guajará Mirim. A estrada estava muito boa, belas paisagens e viagem tranquila. O que nos surpreendeu agradavelmente foi o estado do Acre que nos pareceu um estado bastante próspero e organizado. O único probleminha foi na travessia do Rio Madeira, em Abunã. Os caminhoneiros de caminhões tanques queriam atravessar por primeiro mesmo aqueles que tinham chegado depois. É que por medida de segurança, não pode viajar caminhões tanques com cargas inflamáveis junto com outros carros. No fim de algum tempo acabamos indo primeiro. Chegamos a Guajará Mirim e já nos esperava um belo churrasco de costela e um tambaqui especialmente preparados na casa do amigo Roberto. Uma delícia!

04/10/2007 – Passamos o dia todo em Guajará. Atravessamos a fronteira com a Bolívia para ir até Guayaramerin e fazer algumas compras na zona franca de lá. Como outras zonas francas, noventa por cento da mercadoria é quinquilharia. Compramos alguns litros de whisky, para repor o estoque e levar alguns para casa.

05/10/2007 – Partimos agora definitivamente para casa. Mas antes ainda tivemos uma grata surpresa. Na saída de Guajará em direção a Ariquemes, com o Balzan como guia, fizemos um desvio por dentro do Parque Estadual de Guajará Mirim. Foi uma travessia inesquecível. Verdadeiramente dentro da Floresta Amazônica, por uma estrada estreita, de terra e lama, uma verdadeira aventura o que nos animou mais ainda para a nossa próxima grande viagem/aventura que está programada para atravessarmos a Transamazônica em 2009. Depois da travessia do parque, um pouco mais de estrada de terra e chegamos a Ariquemes. A partir daí só asfalto. Acabamos dormindo em Cocoal-RO.

06/10/2007 – De Cocoal fomos dormir em Cuiabá-MT

07/10/2007 – De Cuiabá fomos dormir em Barra do Garça-MT

08/10/2007 – De Barra do Garça fomos dormir em Gurupi-TO

09/10/2007 – De Gurupi fomos dormir em Carolina-MA.

10/10/2007 – Passamos o dia em Carolina visitando as magníficas cascatas no Parque da Chapada das Mesas. Este lugar não ainda muito divulgado e conhecido no Brasil, mas é um lugar de extrema beleza. As cachoeiras são espetaculares. Vale muito a pena visitá-las.

11/10/2007 – De Carolina fomos dormir em Floriano-PI.

12/10/2007 – De Floriano fomos dormir em Patos-PB

13/10/2007 – De Patos fomos dormir em NATAL – Antes de chegar em casa, paramos em um restaurante especialista em bode e nos deliciamos comendo um ‘bode torrado’.

FIM

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