1995 – Porto Alegre para Pueto Montt

Na época em que foi feita a viagem não havia a intenção de se escrever sobre ela e por isso não fizemos relatos e nem filmes. Mas vamos tentar colocar o resumo e alguns fatos mais relevantes.

INTEGRANTES:

Enio/Marines/Emili(10)/Nani(9) – VW Voyage
Milani/Heloisa/Flavio(11)/Luiza(8)/Mariana(6) – Ford Royale

ROTA:

Porto Alegre – Paysandu(UY) – Mercedes(AR) – San Rafael – Las Lenãs – Mendoza – Santiago (CL) – Valparaiso – Curanilahue – Villarica – Puerto Varas – Bariloche (AR) – Bahia Blanca – Buenos Aires – Montevidéu(UY) – Rocha – Porto Alegre.

Foram trinta dias de férias. De dezembro de 1994 a janeiro de 1995. Partimos de Porto Alegre, atravessando o Uruguai até Mercedes. Atravessamos o Pampa argentino até San Rafael.
Decidimos ir visitar o centro de esqui de Las Leñas. Decepção! Estava tudo fechado, inclusive com correntes atravessadas nas ruas para ninguém entrar. Claro, era verão! Não tinha neve e nem turistas (só nós!). Mesmo assim deu pra ver a opulência do lugar. Como não tínhamos onde ficar resolvemos voltar logo para não pegar a noite na estrada. No caminho, já um pouco tarde, conseguimos um hotel termas que abriu as portas para nós. Tentamos tomar banho nas termas, mas o cheiro forte de enxofre não nos animou. À noite fomos ‘convidados’ a participar da ceia de final de ano com a família do proprietário do hotel e, claro, mediante o pagamento de uma módica (nem tanto!) quantia. Tudo bem, aceitamos. Próximo da meia noite um garçom aparece jogando a bandeja de inox no chão, fazendo o maior barulho. Segundo nos disserem, isto fazia parte do ritual. Logo após foi servido o jantar, prato individual. O garçom colocou o prato em frente a Marines e disse que aquele era o prato especial e que ela iria adorar. Como a luz estava lusco fusco, ela só notou que no prato tinha algo parecido com uma pequena bolsa que, quando cortou saiu um liquido esquisito. Pronto, já ficou desconfiada e não quis mais experimentar a tal da comida especial. Trocou o prato comigo e eu que não recuso quase nada, acabei comendo. Achei muito parecido com o gosto de testículo de touro e depois o garçom confirmou que realmente era ‘huevo de chivito’ (bode).

Subimos até Mendoza e daí até Santiago. A subida dos Andes é simplesmente fantástica, muito bonita. Passamos pela Puente Del Inca, ao lado do Aconcágua com seus 6.659m de altitude, o túnel Cristo Redentor que tem três quilômetros de extensão e finalmente na fronteira AR/CL. Tivemos que colocar todas as frutas no latão do lixo e o carro todo revistado. Após a fronteira começamos a descida. A descida de Los Caracoles é deslumbrante. São aproximadamente cinco quilômetros de descida íngreme e em caracol, fantástico! Digno de cartão postal.

Chegamos a Santiago e conseguimos um hotel pequeno, mas confortável e preço razoável. À noite saímos para assistir a um show de tango próximo ao hotel. Chegando lá, ainda muito cedo, o porteiro nos olhou com cara de poucos amigos e disse não saber se ainda tinha lugar para nós. Ficamos com a pulga atrás da orelha, mas ficamos esperando. Com a chegada dos convidados nós descobrimos porque aquele olhar do porteiro. É que nós não estávamos adequadamente vestidos para aquele recinto, isto é, estávamos com roupas muito simples e quem estava chegando estava vestido de gala. Com a nossa insistência conseguiram um lugar, mas era a última mesa, a mais distante de tudo e todos. Em seguida vem um garçom e nos diz que tínhamos que fazer um consumo mínimo, e que era uma grana preta, e caso não consumíssemos poderíamos nos retirar. E foi o que fizemos, fomos embora!
No outro dia alugamos uma van e fomos visitar os principais pontos turísticos de Santiago.

De Santiago nos dirigimos à Viña Del Mar. Na entrada da cidade fomos ‘atacados’ por guias que acabaram nos convencendo que alugar um apto mobiliado seria mais em conta que um hotel. Embarcamos nesta canoa furada e alugamos o apto. Tudo parecia bem até chegar a noite e aí constatar que os lençóis estavam grudados com grampos e muito sujos. Com certeza eram lençóis que muitos já tinham passado por eles.
Apesar deste inconveniente, Viña é uma cidade muito bonita com seus prédios inclinados, pelicanos e gaivotas na beira da praia, cassinos e hotéis. Por tudo isso é considerada a capital do turismo do Chile.
Demos uma passada por Valparaíso. Cidade muito movimentada e aparentemente sem muitos atrativos.

De Valparaíso seguimos pela Rodovia Pan-americana para o sul, sempre com os Andes a nossa esquerda. Estrada muito boa e bem sinalizada. Resolvemos dar uma entrada em direção ao Oceano Pacífico e acabamos saindo na cidade de Curanilahue. Uma cidade tipicamente mineira, exportadora de carvão, casas de madeira aparentemente sem muita ordem e a julgar pela quantidade de placas oferecendo ‘Pollos’ deve ser uma grande consumidora de frangos do Chile. Paramos em um restaurante e pedimos para fazer um pollo no espeto. Até que estava bom!

Continuamos a nossa descida para o sul até a região dos Lagos Chilenos. Primeiro na região de Villarrica. Passeamos de  pedalinho no lago, comemos o famoso Congrio, peixe de água fria e tudo com vista para o Vulcão Villarrica. Uma beleza!

Descemos mais um pouco até o Vulcão Osorno. Subimos a sua encosta de carro até próximo a uma estação de esqui que estava abandonada por ser verão, mesmo assim subimos a pé até tocar à neve. Ficamos alojados em uma pequena pousada aos pés do vulcão e a beira do lago. Uma delícia!

Devagar fomos apreciando a paisagem maravilhosa desta parte sul do Chile até chegar a Puerto Montt. Por ser zona franca achávamos que iríamos fazer boas compras, mas o câmbio mostrou que não valia a pena. De Pueto Montt seguimos por estrada para Bariloche. No meio do caminho aparece Villa La Angostura, uma cidade pequena e muito aconchegante. Este trecho, por estrada de terra, estreita, entre montanhas, bosques e lagoas é sensacional!

Estamos em Bariloche. Famosa estação de esqui da Argentina e muito frequentada por brasileiros. Apesar de ser verão, o tempo estava um pouco frio e a cidade estava muito bonita, com suas lojas com casacos de pele, artigos para presentes, restaurantes e as chocolaterias tentadoras. Fizemos o passeio pelo parque Nahuel Huapi com paisagens maravilhosas. Tentamos subir o Cerro Catedral mas não estávamos preparados para o frio que estava fazendo lá em cima. Apesar dos avisos para não irmos devido o clima, fomos teimosos e chegamos até o segundo estágio do teleférico e dai tivemos que retornar com medo principalmente das crianças pegar um resfriado e estragar parte da viagem. Não pudemos subir o Cerro Otto de teleférico por estar interditado devido aos fortes ventos no dia.
De Bariloche atravessamos a Argentina até Bahia Blanca, onde visitamos o porto e daí seguimos para Mar Del Plata.
Mar Del Plata nos pareceu uma cidade muito moderna, limpa, organizada e muito simpática. O que mais chamou nossa atenção foi como os argentinos curtem as praias locais que, aliás, são muito movimentadas. Eles compram ou alugam um espaço coberto, como se fossem pequenas barracas, uma ao lado da outra, formando verdadeiros ‘conjuntos habitacionais’ com centenas de metros de extensão, e aí colocam todas as suas coisas, como isopor das bebidas, mesa, cadeiras, roupas, etc., e aí passam o dia, indo até o mar ou jogando ou brincando em frente a estas barracas.  Não é uma coisa comum aqui no Brasil.

De Mar Del Plata fomos visitar o Mundo Mariño, em San Clemente del Tuyú. É um grande oceanario temático, o maior da América do Sul, com diversas atrações. Lobos marinhos, golfinhos, baleia orca, pinguins, focas, shows com piratas e veleiros misturados com Jet ski, uma verdadeira festa para a criançada que deram muito trabalho na hora de ir embora.

De Buenos Aires pegamos o ferry boat para Montevideo. De Montevideo passamos por Punta Del Este para ver como os ricos passam bem (cada casa!) e daí seguimos para Porto Alegre.

Uma viagem inesquecível, mesmo ‘transportando’ cinco crianças na idade que pouco lhes interessa as bonitas paisagens, mas mesmo assim acabaram curtindo bastante e nós, os adultos, maravilhados com tanta beleza.

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